Glaucoma e diabetes

Glaucoma e diabetes: tem alguma relação?

O glaucoma e diabetes são condições frequentemente discutidas em oftalmologia e endocrinologia, devido ao impacto que ambas têm na saúde ocular. Mas existe uma ligação direta entre essas condições? 

Há evidências, sim, de que o diabetes pode aumentar o risco de desenvolvimento do glaucoma, além de influenciar a sua progressão.

Glaucoma e diabetes

O que é o glaucoma?

O glaucoma é caracterizado por danos ao nervo óptico, que levam à perda gradual da visão, muitas vezes sem sintomas iniciais. Ele é associado, na maioria dos casos, ao aumento da pressão intraocular (PIO). Os tipos mais comuns de glaucoma incluem:

Glaucoma de ângulo aberto: progride de forma lenta e é responsável por grande parte dos casos diagnosticados;

Glaucoma de ângulo fechado: uma condição menos comum, mas mais grave, que causa elevação súbita da pressão intraocular.

Estima-se que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo vivam com glaucoma, sendo que aproximadamente 10% desses casos resultam em cegueira​. 

Como a diabetes afeta os olhos?

O diabetes impacta os vasos sanguíneos e os nervos, afetando o funcionamento adequado do organismo como um todo. Em termos oculares, ele está associado a condições como retinopatia diabética, edema macular e catarata. Estes problemas são causados por alterações nos vasos sanguíneos da retina e pelo acúmulo de líquido em estruturas oculares.

Pessoas com diabetes têm até duas vezes mais chances de desenvolver glaucoma​. Essa relação pode ser explicada por vários fatores, como aumento da PIO e danos causados pela hiperglicemia crônica.

Mecanismos que conectam o glaucoma e diabetes

Existem algumas hipóteses que ajudam a explicar a relação entre essas condições:

Aumento da pressão intraocular (PIO): o diabetes pode alterar o sistema de drenagem do humor aquoso, o líquido responsável por manter a pressão ocular em níveis normais. Essa disfunção eleva a PIO e contribui para danos ao nervo óptico;

Dano vascular: o diabetes causa microangiopatia, uma alteração nos pequenos vasos sanguíneos, que afeta a circulação e reduz o suprimento de oxigênio ao nervo óptico. Isso aumenta a vulnerabilidade aos danos associados ao glaucoma;

Inflamação crônica: a inflamação sistêmica causada pelo diabetes pode agravar os danos ao nervo óptico, acelerando a progressão do glaucoma;

Alterações no metabolismo celular: o excesso de glicose no sangue tem como interferir no funcionamento celular dos tecidos oculares, prejudicando ainda mais o sistema de drenagem.

Fatores de risco combinados

Embora tanto o glaucoma quanto o diabetes possam ocorrer separadamente, a presença de fatores de risco compartilhados aumenta a probabilidade de coexistência. Alguns desses fatores incluem:

  • Idade superior a 40 anos;
  • Histórico familiar de glaucoma;
  • Hipertensão arterial;
  • Doença diabética de longa duração.

Além disso, a retinopatia diabética, quando não tratada, potencializa os riscos, pois afeta diretamente a circulação sanguínea da retina e do nervo óptico.

Diagnóstico precoce e prevenção

O diagnóstico precoce minimiza os danos causados por essas condições. Para pessoas com diabetes, recomenda-se consultas oftalmológicas regulares, que incluem:

  • Medição da pressão intraocular;
  • Exame de fundo de olho;
  • Tomografia de coerência óptica (OCT), para avaliar a estrutura do nervo óptico.

Pessoas sem diabetes, mas com histórico familiar de glaucoma ou outros fatores de risco, também devem manter um acompanhamento preventivo com oftalmologistas.

Opções de tratamento

O tratamento do glaucoma varia de acordo com a gravidade do caso e inclui:

Colírios: reduzem a pressão intraocular, seja diminuindo a produção de humor aquoso, seja aumentando sua drenagem. Porém, é necessário ter certa disciplina para usar diariamente. Além disso, muitos pacientes reclamam de seus efeitos colaterais, como vermelhidão nos olhos;

Terapias a laser: procedimentos como a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) melhoram o escoamento do fluido ocular. É rápido e demora entre 3 a 5 anos para precisar refazer. Além disso, o paciente pode voltar às suas atividades cotidianas no mesmo dia.

Já o diabetes exige controle glicêmico rigoroso, alimentação equilibrada e o uso de medicamentos ou insulina conforme orientação médica. A manutenção de níveis saudáveis de glicose reduz significativamente o risco de complicações oculares.

A relação entre glaucoma e diabetes destaca a importância do cuidado integrado e do acompanhamento regular com especialistas.

Enquanto o diabetes aumenta o risco de desenvolvimento do glaucoma, ambas as condições podem ser manejadas com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Se você tem diabetes ou possui fatores de risco para glaucoma, entre em contato com o Instituto de Olhos Bela Vista e agende uma consulta com o Dr. Márcio Tractenberg, especialista em Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT). O cuidado preventivo faz toda a diferença na preservação da sua visão.

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