Glaucoma Dói

Glaucoma Dói? Veja o Que é Verdade ou Mito.

O glaucoma é um dos principais responsáveis por casos de cegueira irreversível em todo o mundo. Neste texto, vamos explorar se glaucoma dói e tudo o que você precisa saber sobre a doença, desmistificando crenças e apresentando fatos.

O que é o glaucoma?

É um conjunto de doenças oculares que leva ao comprometimento progressivo do nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular (PIO).

Em termos simples, o chamado “humor aquoso” — líquido responsável por nutrir e manter a forma do globo ocular — deixa de drenar com eficiência, elevando a PIO e causando lesão nas fibras nervosas.

Com o tempo, essa degeneração irreversível resulta em perda gradual do campo visual, começando muitas vezes pela visão periférica.

Glaucoma dói? Mitos e verdades

A seguir, apresentamos os principais pontos de confusão que geralmente circulam entre pacientes e familiares:

Mito: todo glaucoma causa dor intensa.

Essa afirmativa não é verdadeira para o glaucoma de ângulo aberto, que é o tipo mais comum entre adultos.

Nos estágios iniciais, o paciente raramente sente qualquer sintoma, seja dor, ardência ou coceira. A lesão do nervo óptico ocorre de maneira silenciosa, sem desconforto aparente.

Portanto, afirmar que “todo glaucoma dói” é um mito que pode atrasar o diagnóstico, já que muitos pacientes só buscam ajuda quando experimentam algum tipo de desconforto ocular.

Verdade: o glaucoma de ângulo fechado agudo pode causar dor intensa.

Ao contrário do glaucoma de ângulo aberto, o de ângulo fechado em sua forma aguda pode sim provocar dor intensa. Nesse caso, o paciente experimenta:

  • Dor ocular severa e súbita;
  • Dor de cabeça forte, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos;
  • Visão turva e percepção de halos coloridos ao redor de fontes luminosas;
  • Olho avermelhado e tenso ao toque, de tão elevado o nível de pressão intraocular.

Esse episódio constitui uma emergência oftalmológica, pois a PIO pode atingir valores superiores a 40–50 mmHg em questão de horas, provocando dor e risco de dano irreversível ao nervo óptico.

Mito: se eu não sinto dor, não tenho glaucoma.

É importante desfazer esse mito: a maior parte dos casos de glaucoma, em especial o glaucoma de ângulo aberto e o glaucoma de pressão normal, não apresentam dor ou sintomas perceptíveis para o paciente.

A dor não é critério de exclusão para o diagnóstico. Mesmo sem dor, o nervo óptico pode sofrer lesões progressivas, levando à perda de campo visual periférico e, em estágios avançados, à redução da visão central.

Verdade: sintomas podem surgir em estágios avançados.

Apesar de, no início, o glaucoma não provocar dor ou desconforto, em estágios mais avançados podem aparecer:

  • Sensação de visão embaçada ocasional;
  • Dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luminosidade;
  • Pontos escuros (escotomas) que podem ser percebidos durante atividades diárias — embora, muitas vezes, não sejam associados imediatamente ao glaucoma

Esses sinais não se traduzem em dor propriamente dita, mas indicam que a doença avançou. Nessa fase, já há destruição significativa de fibras nervosas, e o tratamento visa apenas retardar a progressão, pois a lesão é irreversível.

Quando a dor ocular está relacionada a glaucoma

Apesar de a dor não ser característica dos tipos mais comuns de glaucoma, há situações específicas em que a sensação dolorosa pode aparecer.

1. Crise aguda de glaucoma de ângulo fechado

Ocorre quando a íris se desloca, fechando repentinamente o ângulo de drenagem do humor aquoso. Sem saída, o líquido se acumula no interior do olho, e a PIO dispara rapidamente.

Os sintomas são:

  • Dor ocular intensa e lancinante;
  • Dor de cabeça (cefaleia) intensa;
  • Náuseas e vômitos;
  • Visão turva, muitas vezes acompanhada de halos coloridos ao redor de luzes;
  • Olho vermelho, tenso e dolorido ao toque.

É considerado uma urgência oftalmológica. Se não tratado em poucas horas, há risco elevado de perda irreversível da visão.

2. Glaucoma secundário inflamatório (uveíte)

Em casos de inflamação intraocular (como uveíte anterior), a obstrução da malha trabecular pode ocorrer por células inflamatórias ou depósitos proteicos. Isso eleva a PIO e pode provocar dor.

Os sintomas são:

  • Dor moderada a intensa, associada à vermelhidão e fotofobia (sensibilidade à luz);
  • Lacrimejamento excessivo e sensação de olho seco ou irritação;
  • Visão embaçada, reflexo da inflamação.

O tratamento envolve controle simultâneo da inflamação (com colírios esteroidais, por exemplo) e do aumento da PIO (colírios hipotensores).

3. Trauma ocular e glaucoma secundário

Lesões penetrantes ou contusas podem danificar a malha trabecular ou as estruturas de drenagem do humor aquoso, provocando elevação da PIO e dor associada ao trauma.

Os sintomas são:

  • Dor ocular persistente após o trauma;
  • Visão turva ou percepção de flashes de luz (fotopsias);
  • Possíveis sinais visuais de perfuração ou hemorragia intraocular.

Uma avaliação emergencial é feita pelo oftalmologista para tratar lesões e controlar a pressão.

Em qualquer situação em que haja dor ocular intensa, acompanhada de alteração súbita na visão (embaçamento, halos coloridos, náuseas), procure um pronto-atendimento ocular para descartar crise aguda de glaucoma ou outras emergências oftalmológicas.

Por que o glaucoma de ângulo aberto geralmente não dói?

As áreas periféricas do campo visual são afetadas gradualmente. O cérebro consegue compensar pequenas falhas, de modo que o paciente não percebe a deficiência visual até que estágios intermediários sejam alcançados.

Diferente de outras condições oculares como úlceras de córnea, conjuntivites graves ou ceratites, o glaucoma de ângulo aberto não envolve processos inflamatórios agudos na superfície ocular. Não há ativação de terminações nervosas sensoriais que gerem dor.

No glaucoma de ângulo aberto, a pressão intraocular tende a subir de forma lenta e contínua, permitindo que os tecidos internos do olho “se acostumem” ao novo patamar, sem estímulo agudo ao nervo trigêmeo, responsável pela sensação de dor ocular.

Como consequência, pacientes podem manter acuidade visual “normal” (com correção de refração) até fases avançadas, quando já há prejuízo significativo do campo visual periférico.

Se você deseja esclarecer dúvidas sobre dor e glaucoma, realizar um exame de rotina ou conhecer as opções de tratamento — incluindo a Trabeculoplastia Seletiva a Laser — entre em contato com o Instituto de Olhos Bela Vista. O Dr. Márcio Tractenberg. Não espere pelos sintomas: cuide da sua visão e de sua qualidade de vida com quem entende do assunto!

Dr. Márcio Tractenberg

Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1

Porto Alegre / RS 90480-001

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