Glaucoma e arritmias cardíacas parecem assuntos distantes. O glaucoma é uma doença do nervo óptico e a arritmia envolve o ritmo do coração.
Na prática clínica, porém, há pontos de interseção que o oftalmologista e o cardiologista precisam conhecer.
Este texto explica onde essa intersecção ocorre e como isso muda escolhas terapêuticas para o paciente.
Por que falar de glaucoma e arritmias juntos?
O glaucoma é uma doença crônica que danifica o nervo óptico, frequentemente associada à elevação da pressão intraocular (PIO).
Já as arritmias são alterações na frequência ou condução elétrica do coração, que variam de benignas a potencialmente graves.
Ambos os quadros compartilham fatores vasculares e medicamentos que podem provocar efeitos cruzados.
Sendo assim, o coração influencia a escolha do tratamento do glaucoma e, às vezes, tratamentos oculares influenciam o coração.
Como colírios para glaucoma podem afetar o ritmo cardíaco
Alguns colírios usados no tratamento do glaucoma, especialmente os betabloqueadores tópicos, como o timolol, atravessam a mucosa ocular e entram na circulação sistêmica.
Em pacientes sensíveis ou com doença cardíaca pré-existente, essa absorção pode provocar:
- queda da frequência cardíaca (bradicardia);
- piora de bloqueios de condução;
- desmaios.
Estudos clínicos e séries de casos documentaram internações e bloqueios atrioventriculares relacionados ao uso de timolol oftálmico.
Além disso, existe potencial para efeitos aditivos quando o paciente já toma betabloqueador oral, antiarrítmicos ou outros medicamentos que afetam a condução cardíaca.
Essa situação pode aumentar o risco de bradicardia clinicamente significativa. Por isso, a história cardiológica e a lista completa de medicamentos precisam ser consideradas antes de prescrever certos colírios.
Arritmias podem estar associadas à evolução do glaucoma?
A relação entre doenças cardíacas e glaucoma não é simples. Há estudos sugerindo maior risco ou progressão de glaucoma em pacientes com algumas cardiopatias, como fibrilação atrial.
Outros estudos ainda apontam que distúrbios vasculares sistêmicos, os autonômicos, podem contribuir na chamada glaucoma de pressão normal.
Pesquisas populacionais mostram que a fibrilação atrial está associada a um risco maior de glaucoma, provavelmente relacionado à redução do fluxo sanguíneo e a falhas na regulação vascular.
Na prática, pacientes com arritmias ou doença vascular sistêmica merecem atenção redobrada para sinais de progressão do glaucoma, monitoramento visual mais próximo e, quando necessário, integração com um cardiologista.
O que muda no tratamento do glaucoma quando há arritmias?
Quando o paciente tem arritmia, bloqueio cardíaco, doença pulmonar obstrutiva grave ou toma certas medicações, o oftalmologista costuma evitar ou usar com cautela colírios betabloqueadores.
As alternativas terapêuticas incluem:
- prostaglandinas tópicas;
- inibidores da anidrase carbônica (tópicos ou orais);
- agonistas alfa-adrenérgicos;
- procedimentos a laser ou cirúrgicos.
A escolha depende do tipo de glaucoma, da resposta à terapia e do risco sistêmico do paciente.
Quando um colírio que traz risco cardíaco é considerado necessário, após início do tratamento, recomenda-se monitorização do pulso e, em casos específicos, ECG.
Além de orientação para interromper o colírio e buscar avaliação médica se sentir tontura, palpitações ou desmaio.
A presença de arritmias altera a balança risco-benefício e frequentemente muda a primeira opção terapêutica.
Trabeculoplastia Seletiva a Laser (TSL): uma alternativa valiosa
A Trabeculoplastia Seletiva a Laser, conhecida como TSL, é um procedimento ambulatorial que melhora a drenagem do humor aquoso pelo trabéculo e reduz a PIO sem depender de medicação contínua.
Nos últimos anos, evidências robustas mostraram que a TSL é uma opção segura em muitos casos de glaucoma de ângulo aberto, equivalente a tratamentos medicamentosos.
A Trabeculoplastia Seletiva a Laser é indicada especialmente quando há contraindicação ou intolerância a colírios.
Para pacientes com arritmias que não podem usar betabloqueadores, a TSL frequentemente representa uma solução prática e valiosa.
A TSL também tem a vantagem de reduzir a necessidade de múltiplos colírios, melhora a adesão do paciente e diminui o risco de interações medicamentosas sistêmicas.
O Dr. Márcio Tractenberg afirma que a Trabeculoplastia Seletiva a Laser é uma alternativa terapêutica que pode evitar riscos cardíacos associados a certos colírios.
Comunicação entre especialidades: quando envolver o cardiologista
Em pacientes com arritmias conhecidas, bloqueio AV, marcapasso recente ou em uso de antiarrítmicos, é prudente discutir o caso com um cardiologista antes de iniciar medicamentos oftálmicos que interfiram no sistema nervoso autônomo ou na condução cardíaca.
O diálogo evita decisões isoladas e avalia se o ajuste de medicação cardíaca ou monitorização adicional são necessários.
Uma prática recomendada é pedir um eletrocardiograma, revisar medicações e, quando houver dúvida, solicitar aval cardiológico antes de iniciar o uso de gotas com potencial sistêmico.
Conselhos práticos para pacientes e familiares
Se você tem glaucoma e já foi diagnosticado com arritmia, compartilhe essa informação com seu oftalmologista antes de qualquer prescrição.
Anote todos os medicamentos que toma e relate sintomas como tontura, sensação de desmaio, palpitações ou cansaço incomum.
Por outro lado, pacientes que começam com colírios betabloqueadores devem monitorar o pulso em casa nas primeiras semanas e procurar atendimento se notarem desaceleração marcada ou síncope.
Sempre informe seu histórico cardíaco ao oftalmologista que trata seus olhos, pois a sua segurança depende de comunicação clara entre você e seus médicos.
Se você tem glaucoma e arritmia, agende uma consulta com o Dr. Márcio Tractenberg do Portal Glaucoma para escolhas terapêuticas mais seguras. Ele pode revisar seu caso, discutir alternativas para evitar colírios de risco ou optar por procedimentos como a Trabeculoplastia Seletiva a Laser quando indicado.
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