Imagine o paciente chegando ao consultório, apreensivo, segurando um pequeno frasco de colírio que promete controlar a pressão intraocular. Contudo, logo após instilar a gota, percebe um ardor e vê seus olhos adquirirem uma tonalidade avermelhada.
Esse relato é relativamente comum entre usuários de colírios para glaucoma. Ao longo deste texto, exploram‑se as razões pelas quais o colírio causa olhos vermelhos, detalham‑se os efeitos colaterais típicos de cada classe de medicações para a condição e apresenta‑se a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) como o tratamento mais efetivo e menos dependente de medicação contínua.
O que são colírios de glaucoma?
Os colírios de glaucoma são medicamentos tópicos desenvolvidos para reduzir a pressão intraocular (PIO), principal fator de risco para a progressão da neuropatia óptica glaucomatosa. Essas gotas atuam de duas formas básicas: melhorando o escoamento do humor aquoso ou diminuindo sua produção.
Os fármacos são classificados de acordo com seu ingrediente ativo, podendo pertencer a um dos seguintes grupos: análogos de prostaglandina, betabloqueadores, agonistas alfa‑2, inibidores de anidrase carbônica e inibidores de Rho‑quinase; além disso, existem fórmulas combinadas para casos que exigem ação múltipla.
Por que o colírio causa olhos vermelhos?
A vermelhidão ocular, ou hiperemia conjuntival, é marcada pela dilatação dos vasos sanguíneos da conjuntiva, trazendo rubor visível ao branco dos olhos. Diversos mecanismos estão envolvidos:
- Resposta inflamatória local: componentes dos colírios podem irritar as células da superfície ocular;
- Ação vasomotora direta: alguns agonistas, como a brimonidina, alteram o tônus vascular pela modulação adrenérgica, resultando em vermelhidão;
- Preservantes: substâncias como cloreto de benzalcônio, presentes em várias fórmulas, têm caráter detergente, podendo danificar a camada lacrimal e agravar a hiperemia.
Possíveis efeitos colaterais dos colírios de glaucoma
Embora funcionais, os colírios para glaucoma apresentam efeitos adversos que podem comprometer o conforto e a adesão ao tratamento. A seguir, descrevem‑se as reações típicas de cada classe.
1. Betabloqueadores
Betabloqueadores tópicos, como betaxolol e timolol, reduzem a produção de humor aquoso ao bloquear receptores β-adrenérgicos na íris e corpo ciliar.
- Ardor, lacrimejamento e sensação de corpo estranho.
- Visão turva e fotofobia transitória costumam ocorrer imediatamente após a aplicação.
- Alergia e blefarite, estas apenas em casos isolados podem forçar a interrupção do uso.
2. Análogos de prostaglandina
Análogos de prostaglandina (latanoprost, bimatoprost, travoprost) aumentam o escoamento uveoescleral do humor aquoso e, por isso, frequentemente são a primeira escolha no tratamento.
- Hiperemia conjuntival.
- Crescimento de cílios e mudança de pigmentação, bem como hiperpigmentação iriana, efeitos reversíveis ou não.
- Irritação local e secura, porém é pouco comum.
3. Inibidores de anidrase carbônica
Dorzolamida e brinzolamida bloqueiam a enzima carbônica anhydrase no corpo ciliar, reduzindo a produção de humor aquoso.
- Queimação, ardor e gosto amargo. Os efeitos geralmente são leves e transitórios.
- Conjuntivite alérgica e edema palpebral.
- Dor ocular e visão turva.
4. Agonistas alfa‑2
Brimonidina e apraclonidina atuam tanto na redução da produção de humor aquoso quanto na melhoria do escoamento.
- Irritação, prurido e hiperemia conjuntival.
- Sonolência, boca seca e fadiga (o que pode demandar ajuste terapêutico).
- Reações alérgicas.
5. Inibidores de Rho‑quinase e combinações fixas
Netarsudil é exemplo emergente de inibidor de Rho‑quinase, com potencial para hiperemia grave em até 50% dos pacientes, segundo a Glaucoma Research Foundation.
Combinações fixas reúnem dois fármacos (ex.: dorzolamida/timolol) e apresentam perfis de efeitos adversos somados das classes envolvidas.
Manejo dos efeitos colaterais
Para minimizar o desconforto e a hiperemia, recomenda‑se:
- Técnica de aplicação: inclinar ligeiramente a cabeça, puxar delicadamente a pálpebra inferior e instilar a gota sem tocar o frasco na superfície ocular. Após a aplicação, manter o olhar voltado para cima e pressionar suavemente o canto interno do olho por 2 minutos para reduzir a drenagem sistêmica;
- Lavagem de excesso: passar com algodão seco nas pálpebras e cílios para remover resíduos de colírio que podem irritar a pele e os olhos;
- Compressas frias: ajudam a aliviar o rubor e a sensação de queimação;
- Troca de fórmula ou preservativo: optar por colírios sem conservantes ou em formulações alternativas caso a irritação persista;
- Avaliação oftalmológica regular: indicar retorno para avaliação de tolerância e eficácia pelo especialista.
Tratamento Alternativo – SLT (Trabeculoplastia Seletiva a Laser)
A Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) é uma opção de primeira linha ou adjuvante aos colírios, especialmente quando há falha terapêutica ou intolerância ao tratamento medicamentoso.
A SLT utiliza pulsos de laser de baixa energia para estimular células do trabéculo, melhorando o escoamento do humor aquoso e reduzindo a PIO por 2 a 3 anos ou mais.
Além disso, a SLT apresenta perfil de segurança favorável, com complicações graves muito raras e tempo de recuperação mínimo.
Entre em contato e agende uma consulta
Para uma avaliação e definição da estratégia terapêutica mais adequada, incluindo a possibilidade de SLT, entre em contato com o Instituto Olhos Bela Vista. Agende uma consulta e receba um plano para proteger sua visão.
Dr. Márcio Tractenberg
Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1
Porto Alegre RS 90480-001