colírios

Efeitos colaterais dos colírios para glaucoma: o que é normal e o que avisar?

Os colírios são a linha de frente no tratamento do glaucoma. Ele reduz a pressão intraocular, protege o nervo óptico e, na maioria dos casos, mantém a doença sob controle por anos. 

Só que todo medicamento que age no olho pode gerar reações, e é aí que muita informação se perde. O paciente sente uma ardência, um olho vermelho, e fica na dúvida se aquilo faz parte do tratamento ou se é sinal de que algo saiu do lugar.

Saber o que é uma reação esperada evita o abandono desnecessário do colírio, e reconhecer o que é sinal de alerta permite avisar o médico a tempo. Este guia separa um do outro de forma clara.

Por que os colírios para glaucoma causam efeitos colaterais?

Os colírios reduzem a pressão de duas formas. Eles diminuem a produção do líquido interno do olho (o humor aquoso) ou facilitam a saída deste. Cada classe de medicamento age em um mecanismo diferente, e cada uma tem seu próprio perfil de reações.

Além do princípio ativo, os colírios contêm conservantes. O mais comum é o cloreto de benzalcônio, presente em boa parte dos frascos multidose. Ele mantém o produto estéril depois de aberto, mas em uso prolongado pode irritar a superfície do olho. 

Boa parte do desconforto relatado por quem usa colírio há anos vem do conservante, não do medicamento em si. Vale lembrar que o olho é uma superfície pequena e muito sensível. Uma gota que cai ali é absorvida rapidamente, e parte dela chega à corrente sanguínea. 

Por isso alguns efeitos aparecem no próprio olho e outros no corpo inteiro.

O que costuma ser normal?

Algumas reações são esperadas, aparecem nas primeiras semanas de uso e tendem a diminuir conforme o olho se adapta. Elas incomodam, mas raramente indicam risco.

Entre os efeitos locais mais comuns estão:

  • ardência ou sensação de queimação logo após pingar a gota;
  • olho vermelho leve, principalmente nos primeiros dias;
  • sensação de areia ou corpo estranho;
  • lacrimejamento aumentado;
  • visão levemente embaçada por alguns segundos após a aplicação.

Alguns colírios têm efeitos particulares que assustam quem não foi avisado, mas fazem parte da ação do medicamento. 

Os análogos de prostaglandina, muito usados no glaucoma, podem escurecer a íris, deixar os cílios mais longos e escuros e criar uma auréola mais pigmentada ao redor dos olhos. São mudanças estéticas, geralmente sem prejuízo para a visão.

Já os betabloqueadores em colírio podem causar leve ardência e uma tolerância que melhora com o tempo. 

Nada disso exige interromper o tratamento por conta própria. Se o desconforto é leve, passageiro e não vem acompanhado de dor forte ou perda de visão, provavelmente está dentro do esperado.

O que precisa ser avisado ao médico?

Certos sinais saem do território da adaptação e entram no território do alerta. Diante de qualquer um deles, o paciente deve entrar em contato com o oftalmologista.

Fique atento e comunique o médico se aparecer:

  • dor ocular intensa, diferente da ardência comum;
  • vermelhidão forte que piora em vez de melhorar;
  • queda ou embaçamento persistente da visão;
  • inchaço, coceira intensa ou pálpebras muito irritadas;
  • sensibilidade exagerada à luz.

Existem também os efeitos que vão além do olho. Como parte do colírio é absorvida pelo corpo, alguns pacientes relatam sintomas sistêmicos. 

Os betabloqueadores, por exemplo, podem reduzir a frequência cardíaca, causar falta de ar ou piorar quadros respiratórios em quem tem asma ou bronquite. Nesses casos, o aviso ao médico é obrigatório, porque pode ser necessário trocar a classe do medicamento.

Reações alérgicas também merecem atenção. Coceira intensa, inchaço nas pálpebras e vermelhidão que se espalha podem indicar sensibilidade ao princípio ativo ou ao conservante. 

A solução costuma ser simples, com a troca por uma versão sem conservante, mas depende da avaliação profissional.

Como reduzir os efeitos colaterais no dia a dia?

Boa parte do desconforto tem solução prática. A técnica de aplicação faz diferença real na tolerância ao colírio.

Depois de pingar a gota, feche o olho suavemente e pressione o canto interno, junto ao nariz, por cerca de um minuto. Essa manobra, chamada de oclusão do ponto lacrimal, reduz a passagem do medicamento para a corrente sanguínea e diminui os efeitos no corpo. Também ajuda a manter a gota onde ela precisa agir.

Respeitar o intervalo entre colírios diferentes é outro ponto. Quando o paciente usa mais de um, esperar alguns minutos entre eles evita que uma gota lave a outra. E guardar o frasco conforme a orientação da bula preserva a estabilidade do produto.

Quando o conservante é o vilão, versões em dose única ou fórmulas sem conservante costumam resolver. Essa é uma conversa para ter com o oftalmologista, não uma troca para fazer sozinho.

Quando o colírio já não é suficiente?

Existe um cenário em que os efeitos colaterais falam mais alto. Quando o paciente precisa de vários colírios ao dia, sente desconforto constante e ainda assim a pressão não fica no alvo. Nesses casos, insistir só no tratamento com gotas pode custar caro para o nervo óptico.

É quando entram as alternativas. A trabeculoplastia seletiva a laser é uma delas. O procedimento usa um laser de baixa energia para estimular a região de drenagem do olho, facilitando a saída do humor aquoso e reduzindo a pressão. 

É rápido, feito em consultório, e para muitos pacientes permite diminuir a quantidade de colírios ou até substituí-los por um período. Para quem sofre com a irritação crônica das gotas, essa pode ser uma virada importante.

A decisão sobre manter, ajustar ou complementar o tratamento sempre passa pela avaliação individual. O que funciona para um olho pode não servir para outro.

Efeitos colaterais dos colírios têm solução, mas só o acompanhamento certo separa o que é adaptação do que é alerta. 

Se você usa colírio para glaucoma e sente qualquer desconforto, agende uma consulta com o Dr. Márcio Tractenberg, do Portal Glaucoma. A avaliação vai definir o ajuste ideal para controlar a pressão com o mínimo de incômodo e proteger sua visão a longo prazo.

Dr. Márcio Tractenberg

Oftalmologista Porto Alegre

Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1

Porto Alegre / RS 90480-001

Mais como este

Glaucoma unilateral: é comum?

Muitos pacientes chegam ao consultório preocupados porque só um olho aparenta ter sinais de glaucoma, como pressão elevada, perda de campo visual ou alterações no

Leia mais »

Como foi seu atendimento?

Avalie no google como foi a sua experiência com o atendimento do Dr. Marcio Tractenberg

Agende uma consulta com o especialista