corticoides

Uso prolongado de corticoides e risco de glaucoma: o que todo paciente deveria saber.

Corticoides salvam e controlam muitas doenças. No entanto, se usados por longos períodos de tempo, podem aumentar a pressão intraocular e levar ao glaucoma. 

Saber quais são os riscos, informar seu oftalmologista sobre todo uso de corticoide e seguir um plano de monitoramento são atitudes simples que protegem sua visão. 

Neste post, você vai descobrir quais formas de corticoide oferecem maior risco, como identificar sinais, opções de tratamento e o que perguntar ao seu oftalmologista.

Como os corticoides aumentam o risco de glaucoma

Os corticoides alteram a forma como o olho escoa o humor aquoso, o líquido que mantém a pressão ocular equilibrada. 

Essas alterações acontecem na chamada malha trabecular , responsável por drenar esse líquido.Com o tempo, componentes celulares e alterações estruturais dificultam o escoamento, a pressão sobe e o nervo óptico pode ser danificado.

Em termos práticos: nem todo paciente que usa corticoide terá glaucoma. Mas, nesse grupo de risco,o mecanismo é conhecido e pode ser detectado precocemente com exames.

Quem tem mais chance de reagir aos corticoides?

Algumas pessoas são mais sensíveis ao corticoide e apresentam elevações de PIO mais acentuadas quando usam o medicamento.

Estudos indicam que uma pequena parcela da população tem uma reação forte ao corticoide, enquanto uma porcentagem maior tem aumento de pressão intraocular moderado. Em quem já tem glaucoma a tendência ao aumento é bem maior. 

Quais vias de administração oferecem mais risco?

Corticoides podem ser usados de várias formas, como colírios, injeções ao redor do olho (perioculares), implantes intravítreos, via oral ou inaladores. 

Nem todas as vias têm o mesmo risco:

Colírios oftálmicos 

Frequentemente associados ao maior risco de elevação de pressão quando usados por semanas ou meses.

Injeções peri, intravítreas e implantes.

Podem provocar aumentos significativos de pressão, especialmente com alguns implantes de longa duração. Estudos mostram taxas maiores de elevação de pressão em determinadas formulações intravítreas.

Uso oral ou inalatório

Risco presente, mas geralmente menor que o uso direto no olho. Ainda assim, pacientes sensíveis podem ter elevação da PIO.

Como reconheço o problema e quais exames são necessários?

A maioria das elevações de pressão não causa dor nem perda de visão imediata. Exames importantes para fazer diagnóstico são:

  • Tonometria (medição da pressão intraocular): exame objetivo e rápido;
  • Campo visual: avalia se já houve perda funcional do nervo óptico;
  • OCT de nervo óptico e retina: imagem que mostra alterações estruturais do nervo.

Não confie só nos sintomas: o glaucoma por corticoide costuma ser silencioso no início. Monitore pressão e estruturas do nervo; assim detectamos problemas antes que a visão seja afetada.

O que fazer se a pressão subir durante o uso de corticoide?

O primeiro passo é não parar de tomar nada por conta própria. A inflamação que motivou o corticoide pode ser grave. O correto é:

  1. Avisar o oftalmologista imediatamente;
  2. Avaliar reduzir dose, trocar a formulação por uma menos potente ou mudar a via de administração, quando possível;
  3. Iniciar tratamento para reduzir a pressão ocular (colírios anti-pressão e, em casos selecionados, terapias a laser ou cirurgia).

As decisões sobre suspensão ou troca do corticoide devem ser feitas pelo médico; mas o paciente deve comunicar qualquer uso prolongado para o oftalmologista.

Opções de tratamento: quando a laser pode ajudar?

Além das gotas para baixar a pressão, existe uma opção a laser muito importante: a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (conhecida internacionalmente como SLT, Selective Laser Trabeculoplasty). É um procedimento ambulatorial que estimula a malha trabecular para melhorar o escoamento do humor aquoso. 

Estudos modernos mostram que a SLT é uma alternativa para reduzir a pressão em muitos tipos de glaucoma, incluindo casos relacionados ao uso de corticoides, e pode reduzir a necessidade de medicamentos contínuos. 

Portanto, quando as gotas não são suficientes ou quando o paciente quer diminuir a carga de colírios, a Trabeculoplastia Seletiva a Laser é uma opção com bons resultados em muitos pacientes.

Como conversar com seu médico (o que perguntar)

Ao iniciar ou continuar um tratamento com corticoide, pergunte ao seu médico:

  • qual a via, dose e duração previstas?
  • quais são os sinais de alerta que você deve observar?
  • precisarei medir pressão ocular com que frequência?
  • existe alternativa terapêutica que reduza o risco?

Plano prático de acompanhamento 

Para pacientes em uso contínuo de corticoide ocular, um esquema comum é medir a pressão em 2 a 6 semanas após início, repetir conforme evolução, e manter acompanhamento regular enquanto durar o tratamento. 

Para implantes ou doses altas, o controle é mais frequente. 

Lembre-se: esse é um exemplo, o ritmo ideal depende do seu caso e da indicação do seu médico.

Se você usa ou vai começar a usar corticoides e quer proteger sua visão, agende uma avaliação com o Dr. Márcio Tractenberg para revisar seu tratamento, checar sua pressão ocular e montar um plano seguro e individualizado para o seu caso.

Dr. Márcio Tractenberg

Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1

Porto Alegre / RS 90480-001

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