O glaucoma é conhecido como o “ladrão silencioso da visão” porque costuma evoluir de forma assintomática até fases avançadas, quando já há perda significativa do campo visual.
O exame de fundo de olho serve, sim, no acompanhamento da saúde ocular e pode fornecer indícios importantes de alterações compatíveis com o glaucoma. Porém, para um diagnóstico definitivo, é necessária a correlação com outros testes específicos.
Neste post, vamos explorar como o exame de fundo de olho contribui para identificar sinais de glaucoma, suas limitações e quais etapas complementares são necessárias para um diagnóstico.
O que é o exame de fundo de olho?
O exame de fundo de olho, também conhecido como oftalmoscopia ou fundoscopia, permite ao oftalmologista visualizar diretamente a retina, o nervo óptico e os vasos sanguíneos no interior do olho.
Realizado com um aparelho chamado oftalmoscópio indireto ou lente de Goldman aliada a uma lâmpada de fenda, esse procedimento oferece imagens de alta qualidade da região posterior do globo ocular.
Por meio desse exame, é possível avaliar:
- Nervo óptico: observar o contorno e a coloração da cabeça do nervo óptico, em busca de escavação excessiva ou descoloração, sinais característicos de neuropatia óptica típica do glaucoma;
- Camada de fibras nervosas: detectar o adelgaçamento da camada de fibras nervosas retinianas, um dos primeiros indícios de perda de axônios do nervo óptico;
- Vasos retinianos: analisar alterações na circulação ocular, como estreitamento ou anormalidades que possam coexistir e contribuir para a patologia glaucomatosa.
Como o exame de fundo de olho pode sugerir glaucoma?
Embora o diagnóstico definitivo de glaucoma dependa de um conjunto de exames — incluindo medida da pressão intraocular (tonometria) e avaliação do campo visual (campimetria) — a fundoscopia traz informações visuais que reforçam a suspeita clínica.
Durante o exame de fundo de olho, o oftalmologista atenta-se a alterações como:
- Aumento da escavação do nervo óptico: a cavidade central (escavação) do disco óptico aumenta progressivamente à medida que as fibras nervosas são perdidas;
- Relação escavação/disco elevada: quando a proporção entre o diâmetro da escavação e o diâmetro total do disco óptico ultrapassa valores considerados normais (geralmente acima de 0,6);
- Assimetria entre os olhos: diferenças significativas na escavação ou no formato do nervo óptico entre um olho e outro podem indicar início de processo glaucomatoso;
- Perda focal de fibras: áreas localizadas de palidez ao redor do disco óptico, indicando perda localizada de fibras nervosas que antecede o comprometimento global do campo visual.
Esses sinais identificam precocemente pacientes de alto risco e servem para orientar para encaminhamentos de exames complementares.
Limitações do exame de fundo de olho na detecção do glaucoma
Apesar de valiosa, a fundoscopia isoladamente não é suficiente para confirmar o diagnóstico de glaucoma. Algumas questões limitantes incluem:
Variabilidade anatômica individual: o tamanho e formato do disco óptico podem variar amplamente de pessoa para pessoa, o que dificulta a padronização de parâmetros.
Estágio inicial sutil: nos estágios iniciais, a escavação pode não apresentar alterações visíveis a olho nu, exigindo exames de imagem de alta resolução, como tomografia de coerência óptica (OCT).
Por isso, é recomendado que o exame de fundo de olho seja acompanhado de:
- Tonometrias regulares: aferição da pressão intraocular em diferentes horários do dia para identificar picos de pressão;
- OCT de nervo óptico e fibras nervosas: exame de imagem que quantifica a espessura da camada de fibras nervosas e mensura a escavação do disco óptico;
- Campimetria computadorizada: avaliação do campo visual para identificar defeitos funcionais, mesmo antes de o paciente notar sintomas.
A importância do diagnóstico precoce
O glaucoma é uma doença progressiva e irreversível: a perda de visão que já ocorreu não pode ser recuperada. No entanto, o tratamento correto e iniciado no momento oportuno consegue interromper ou retardar significativamente a evolução do dano do nervo óptico. Quanto antes o diagnóstico for estabelecido, maiores são as chances de preservar uma visão funcional ao longo de toda a vida.
Pacientes com fatores de risco — como histórico familiar de glaucoma, miopia elevada, idade acima de 60 anos, uso prolongado de corticóides ou hipertensão arterial — devem submeter-se a avaliações oftalmológicas regulares, incluindo o exame de fundo de olho. Ainda que assintomáticos, esses indivíduos podem apresentar alterações estruturais detectáveis pela fundoscopia muito antes do aparecimento de queixas visuais.
Dicas para pacientes antes de fazer o exame
Antes de realizar o exame de fundo de olho, recomenda-se:
- Não usar lentes de contato por algumas horas antes do exame, se possível;
- Informar ao médico sobre uso de colírios ou medicamentos sistêmicos;
- Levar óculos de grau para adaptação pós-pilocarpina, caso seja usado colírio dilatador da pupila.
A dilatação das pupilas é simples e segura, proporcionando uma visão mais ampla e detalhada da retina. Qualquer desconforto costuma ser temporário e envolve sensação de luz ofuscante por algumas horas.
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