Glaucoma de pressão normal

Glaucoma de pressão normal (normal-tension): por que acontece?

No glaucoma de pressão normal, o nervo óptico sofre lesão mesmo quando a pressão do olho está dentro da faixa considerada habitual. 

Além da pressão intraocular, a saúde do nervo óptico depende também de circulação sanguínea, sensibilidade individual do tecido e outros fatores do organismo.

Ao longo deste texto, você vai entender o que é o glaucoma de pressão normal, por que ele acontece, quais sinais merecem atenção, como o diagnóstico é feito e por que exige tratamento para proteger o nervo óptico.

O que é glaucoma de pressão normal

O glaucoma de pressão normal é uma forma de glaucoma em que ocorre dano progressivo no nervo óptico, com alteração do campo visual, mesmo sem elevação evidente da pressão intraocular nas medições habituais. 

Em outras palavras, a doença existe, progride e precisa de cuidado, ainda que a pressão esteja em níveis que, teoricamente, seriam bem tolerados.

O nervo óptico funciona como um grande cabo de transmissão entre o olho e o cérebro. Ele leva as informações visuais para que a imagem seja interpretada. Quando esse nervo sofre lesão, a perda costuma começar de forma silenciosa, afetando áreas do campo de visão que a pessoa nem sempre percebe no início.

Se a pressão está normal, por que o nervo óptico adoece?

A explicação mais aceita é que algumas pessoas têm um nervo óptico mais vulnerável. Isso significa que, para aquele olho, uma pressão que seria suportável para outra pessoa pode ainda ser suficiente para provocar lesão ao longo do tempo.

Além disso, há indícios de que a circulação sanguínea do nervo óptico tenha papel importante. O nervo precisa receber oxigênio e nutrientes de forma constante. 

Quando essa perfusão não é ideal, ele pode ficar mais suscetível a sofrimento crônico. Não estamos falando necessariamente de uma obstrução grande, mas de uma irrigação mais frágil ou menos estável.

Também existem hipóteses envolvendo oscilações de pressão ao longo do dia, alterações vasculares e maior sensibilidade estrutural do nervo óptico. 

Em alguns pacientes, a pressão pode parecer normal na consulta, mas apresentar picos em outros horários. Em outros, o problema principal parece ser a menor resistência do nervo e não o valor absoluto da pressão.

De maneira geral, podemos entender que o glaucoma de pressão normal acontece porque, naquele indivíduo específico, o equilíbrio entre pressão ocular, circulação e resistência do nervo foi rompido. 

O papel da circulação sanguínea nessa forma de glaucoma

Nos casos de glaucoma normotensivo, fatores ligados ao fluxo sanguíneo podem participar do desenvolvimento ou da progressão da doença. O nervo óptico é um tecido delicado e altamente dependente de boa perfusão.

Pessoas com tendência a pressão arterial baixa, especialmente durante a madrugada, podem ter menor oferta sanguínea para o nervo óptico em determinados períodos. Algumas também apresentam histórico de enxaqueca, mãos e pés frios ou fenômenos vasoespásticos, o que sugere um comportamento circulatório mais instável.

Isso não quer dizer que toda pessoa com essas características terá glaucoma, nem que esse seja o único mecanismo envolvido. Mas ajuda a entender por que dois pacientes com a mesma pressão intraocular podem ter evoluções completamente diferentes. O contexto geral do organismo importa.

Em outras palavras, os fatores que adoecem o nervo óptico podem ser a pressão, mas também de que forma ele é irrigado pelo fluxo sanguíneo e protegido ao longo do tempo.

Quem tem mais chance de desenvolver glaucoma de pressão normal

Essa condição pode aparecer em diferentes perfis de pacientes, mas alguns fatores costumam ser observados com mais frequência:

  • idade aumenta o risco;
  • histórico familiar de glaucoma;
  • herança genética pesa bastante na predisposição individual;
  • pessoas com pressão arterial muito baixa, sobretudo no período noturno;
  • pacientes com doenças vasculares;
  • indivíduos com enxaqueca;
  • quem já apresenta alterações suspeitas no nervo óptico em exames de rotina;
  • a córnea mais fina também entra na análise, porque pode influenciar a interpretação da pressão medida.

Outro ponto relevante é que o glaucoma de pressão normal pode ser subdiagnosticado. Como a pressão não chama atenção de imediato, o quadro às vezes só é percebido quando o oftalmologista avalia o nervo óptico, a camada de fibras nervosas e o campo visual de forma mais detalhada.

Os sintomas costumam ser discretos no começo

Na maior parte dos casos, o glaucoma de pressão normal não dá sintomas evidentes nas fases iniciais. 

A visão central costuma permanecer boa por bastante tempo. Por isso, o paciente pode achar que está tudo certo, enquanto a doença progride de forma lenta e silenciosa.

As perdas geralmente começam na visão periférica. O cérebro compensa muito bem essas falhas no início, o que dificulta a percepção espontânea. Quando a pessoa nota algo por conta própria, o comprometimento muitas vezes já está mais avançado.

Alguns pacientes relatam dificuldade para perceber objetos ao lado, insegurança para dirigir em certas situações ou sensação de pior adaptação visual. 

O diagnóstico raramente vem por sintoma típico. Ele costuma vir por exame.

Como o diagnóstico é feito de forma correta

O diagnóstico do glaucoma de pressão normal exige análise de conjunto. O oftalmologista:

  • avalia a pressão intraocular;
  • examina o nervo óptico no fundo de olho:
  • solicita exames de imagem das fibras nervosas;
  • investiga o campo visual para detectar perdas funcionais.

Outro passo importante é excluir outras causas de dano no nervo óptico. Isso porque nem toda alteração semelhante a glaucoma é realmente glaucoma. Dependendo do caso, o especialista pode aprofundar a investigação para afastar neuropatias ópticas de outra origem.

A curva de pressão também pode ser útil em alguns pacientes. Isso ajuda a identificar oscilações e possíveis picos que não apareceram na consulta convencional. 

A espessura da córnea, a comparação entre exames ao longo do tempo e a análise do perfil clínico completam a investigação.

Se a pressão já é normal, por que tratar?

Mesmo quando a pressão está dentro da faixa habitual, reduzir ainda mais esse valor pode diminuir a velocidade de progressão da doença. Em muitos casos, essa estratégia protege o nervo óptico e preserva a visão por mais tempo.

O alvo de tratamento não é um número universal. O ideal é individualizado conforme:

  • o estágio da doença;
  • a aparência do nervo;
  • os exames de campo visual;
  • a idade do paciente;
  • a velocidade de progressão. 

Para um paciente, uma pressão aparentemente normal pode ser alta demais para aquele nervo específico.

O tratamento costuma começar com colírios. Em alguns casos, o médico pode considerar opções como a trabeculoplastia seletiva a laser, que ajuda a melhorar o escoamento do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular. 

O acompanhamento é tão importante quanto o tratamento

Glaucoma é uma doença crônica. Isso significa que o cuidado não termina quando o colírio é prescrito ou quando a pressão melhora. O acompanhamento regular é parte do tratamento, porque é ele que mostra se a estratégia está realmente funcionando.

Em algumas pessoas, a doença permanece estável por longos períodos. Em outras, pode haver progressão mesmo com valores aparentemente aceitáveis. É por isso que repetir campo visual, exames de imagem e avaliação do nervo óptico ao longo do tempo é indispensável.

Também é importante revisar outros fatores de saúde. Em certos casos, vale observar o comportamento da pressão arterial, especialmente à noite, e discutir com o médico quando houver suspeita de quedas excessivas. 

Glaucoma de pressão normal é uma forma real de glaucoma, séria e muitas vezes silenciosa, em que o nervo óptico sofre lesão apesar de a pressão intraocular estar em níveis habituais nas medições de rotina.

Porém, existe tratamento e, com acompanhamento de um oftalmologista especialista em glaucoma, você aumenta suas chances de preservar a visão e evitar perdas irreversíveis.

Se você recebeu diagnóstico de glaucoma de pressão normal, tem histórico familiar ou quer investigar alterações suspeitas no nervo óptico, agende sua consulta com o Dr. Márcio Tractenberg, do Portal Glaucoma, para uma avaliação completa.

Dr. Márcio Tractenberg

Oftalmologista Porto Alegre

Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1

Porto Alegre / RS 90480-001

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