Quando há casos de glaucoma em família — como pais, irmãos ou avós — surgem dúvidas inevitáveis: Será que devo me preocupar? Quais cuidados posso adotar para proteger a própria visão? Como funciona o acompanhamento em um grupo familiar que já enfrenta essa condição?
Neste texto, vamos explorar o que fazer quando o glaucoma faz parte da história de sua família.
O que é o glaucoma e por que o fator familiar importa
O glaucoma é um conjunto de doenças oculares caracterizadas por danos progressivos ao nervo óptico, frequentemente associados à elevação da pressão intraocular (PIO).
Embora existam diversos subtipos — como glaucoma de ângulo aberto, glaucoma de ângulo fechado, glaucoma de pressão normal, glaucoma secundário e glaucoma congênito —, a forma mais prevalente em adultos é o primário de ângulo aberto.
Nesse caso, a obstrução gradual da drenagem do humor aquoso aumenta a pressão interna do olho, comprometendo as fibras nervosas e levando, se não tratado, à perda irreversível do campo visual.
Glaucoma em família e risco familiar
Diferentemente de muitas doenças, o glaucoma apresenta um componente genético relevante. Indivíduos com glaucoma em família, como parentes de primeiro grau (pais, irmãos ou avós) têm risco até 10 vezes maior de desenvolver a doença em comparação àqueles sem antecedentes.¹ Em particular, o glaucoma primário de ângulo aberto é o subgrupo que mais se associa ao histórico familiar.
Mesmo quando poucos membros da família têm glaucoma, não se deve ignorar o risco em gerações futuras. Muitas vezes, a doença se manifesta tardiamente e sem sintomas, dificultando o diagnóstico precoce.
Identificando fatores de risco no ambiente familiar
Para quem descobre que há casos de glaucoma em casa, a primeira atitude deve ser investigar o histórico ocular de cada parente. Algumas perguntas incluem:
- Quais parentes mais próximos tiveram diagnóstico? Pais, irmãos e avós são considerados parentes de primeiro grau ou de segundo grau; quanto mais próxima a relação genética, maior o risco;
- Em que idade o parente foi diagnosticado? Se o diagnóstico ocorreu antes dos 50 anos, é necessário dobrar a atenção, pois isso sugere predisposição mais acentuada;
- Qual o tipo específico de glaucoma? Saber se é glaucoma de ângulo aberto, de pressão normal, de ângulo fechado ou secundário (p. ex., devido a trauma ou inflamação) ajuda a definir protocolos de vigilância;
- Houve perda visual relevante ou complicações em outros membros da família? Entender o histórico de progressão pode orientar o nível de urgência para avaliação e monitoramento de cada indivíduo.
A importância do exame de rotina em famílias com casos de glaucoma
Na maioria das vezes, o glaucoma é assintomático até estágios avançados. O nervo óptico pode sofrer danos lentamente, sem provocar dor ou visão turva evidente.
A própria pessoa pode não notar a perda gradual da visão periférica, pois o cérebro compensa pequenas falhas no campo visual. Somente exames complementares permitem detectar.
A frequência dos exames é determinada por diferentes fatores:
- A cada 12 meses, caso todos os resultados estejam normais e não haja fatores adicionais de risco (diabetes, miopia elevada, histórico de trauma ocular).
- A cada 6 meses, se forem encontrados sinais iniciais (pressão limítrofe ou leve alteração no disco óptico).
Tratamento a laser (Trabeculoplastia Seletiva a Laser)
- A Trabeculoplastia Seletiva a Laser pe um procedimento ambulatorial, sob anestesia tópica.
- Laser de baixa energia (YAG) aplicado pontualmente na malha trabecular para estimular a regeneração e melhorar o escoamento.
- Indicada em pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto ou pseudoexfoliativo que não obtêm controle adequado apenas com colírios ou apresentam dificuldade de adesão.
- A resposta à Trabeculoplastia Seletiva a Laser costuma ser avaliada após 4 a 6 semanas, e pode reduzir ou, em alguns casos, eliminar a necessidade de determinados colírios.
- A Trabeculoplastia Seletiva a Laser não gera cicatrizes extensas: isso possibilita nova aplicação, se necessário.
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