Glaucoma em pessoas jovens

Glaucoma em pessoas jovens: causas raras que merecem atenção

Glaucoma em pessoas jovens é raro, mas potencialmente mais agressivo. 

Diagnóstico precoce e escolha terapêutica adequada, como a Trabeculoplastia Seletiva a Laser, podem ser a diferença entre manter a visão ou a perda irreversível do campo visual. 

Nesta leitura você vai entender quais os tipos de glaucoma que podem acometer pessoas jovens, como investigar causas raras e como tratar a doença. 

1. Tipos de glaucoma que aparecem cedo na vida

De forma prática, podemos agrupar os glaucomas em jovens em três grandes categorias:

Glaucoma congênito ou primário

Detectado desde o nascimento ou nos primeiros anos de vida. Resulta do desenvolvimento anômalo do sistema de drenagem do olho. 

Glaucoma juvenil de ângulo aberto (JOAG

Forma primária que surge entre a infância e os 40 anos. Costuma ter componente genético e, frequentemente, pressões intraoculares (PIO) muito elevadas. O curso é mais agressivo que o glaucoma do adulto. 

Glaucoma secundário

É resultado de outras condições como trauma, inflamação ocular, uso crônico de corticosteróides ou malformações do desenvolvimento ocular como Síndrome de Axenfeld-Rieger, aniridia, síndrome de Sturge-Weber. 

Ou, ainda, pode ser a consequência de complicações de cirurgia/catarata. 

2. Causas raras do glaucoma em pessoas jovens

Genéticas e hereditárias

Algumas formas precoces de glaucoma têm forte associação genética. Alterações no gene MYOC são um exemplo clássico de mutação que pode levar ao JOAG, com PIOs muito altas e progressão rápida. 

Reconhecer o histórico familiar e, se indicado, investigar geneticamente pode acelerar o diagnóstico e a escolha de qual tratamento deve ser adotado. 

Malformações do desenvolvimento ocular

Problemas na formação do ângulo anterior, onde o humor aquoso drena. A ocorrência de Axenfeld-Rieger, aniridia ou glaucoma congênito primário impede a saída adequada do líquido intraocular, o que eleva a pressão desde cedo. 

Nesses casos, o quadro pode ser dramático e apresentar lacrimejamento, fotofobia, aumento do globo ocular em bebês. 

Uso crônico de esteróides e inflamações

Adultos jovens em tratamento prolongado com corticosteróide (colírios ou inaladores em doses altas e de uso sistêmico) podem desenvolver elevação da pressão. 

Da mesma forma, uveítes e outras inflamações oculares podem obstruir as vias de drenagem e causar glaucoma secundário. Às vezes de instalação rápida e severa. 

Trauma e iatrogênicos

Lesões oculares penetrantes ou contundentes ou procedimentos cirúrgicos que alteram a anatomia do ângulo, podem levar a formas secundárias de glaucoma. 

O histórico de acidente ou cirurgia ocular deve sempre ser questionado em pacientes jovens com PIO elevada.

3. Por que o diagnóstico pode ser difícil em jovens?

Os sintomas podem ser discretos e a perda de campo visual inicial costuma ser assintomática. Nesse sentido, jovens tendem a adaptar-se melhor e a ignorar pequenas alterações.

Daí a necessidade de exames específicos, pois medir a pressão intraocular (tonometria) é apenas o começo.

É preciso avaliar a papila óptica (fundo de olho), realizar campo visual e exames de imagem como OCT de fibras nervosas e gonioscopia para analisar o ângulo (fundamental em casos congênitos e juvenis). 

Também é importante considerar a variante de pressão normal. Algumas formas de glaucoma, especialmente em jovens com fatores estruturais, podem ter pressão “normal” em momentos isolados.

Por isso a avaliação longitudinal e exames complementares são indispensáveis.

4. Abordagem terapêutica: individualizada e, muitas vezes, precoce.

O objetivo é sempre preservar o campo visual e a qualidade de vida. Em jovens, por serem formas frequentemente mais agressivas ou por expectativa de vida longa, o manejo costuma ser mais proativo.

  • Medicação antiglaucomatosa (colírios): são muitas vezes o primeiro passo, mas jovens com JOAG podem responder menos bem e exigir escalada terapêutica.
  • Cirurgias tradicionais: trabeculectomia, dispositivos de drenagem e procedimentos de filtragem podem ser necessários em casos refratários ou congênitos.
  • Procedimentos a laser: destaque para a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLTr). Cada vez mais utilizada como alternativa, adjuvante ou mesmo terapia inicial em casos selecionados de glaucoma de ângulo aberto. Estudos e revisões mostram que o SLT reduz de forma segura a PIO, pode diminuir a necessidade de colírios e é repetível sem comprometer tratamentos posteriores. Essas características a tornam uma ferramenta atraente em pacientes jovens que têm dificuldades com aderência a medicamentos ou que desejam reduzir a carga de colírios. 

Vantagens da Trabeculoplastia Seletiva a Laser (resumo):

  • Redução da PIO significativa em muitos pacientes;
  • Procedimento rápido, realizado no consultório, com baixo risco sistêmico;
  • Diminuição ou atraso na necessidade de medicação contínua;
  • Repetível se o efeito diminuir ao longo dos anos, sem “queimar” opções futuras. 

Nota: a escolha por SLT depende do tipo de glaucoma. Por exemplo, formas congênitas de ângulo fechado costumam demandar abordagens cirúrgicas diferentes.

5. Quando procurar um oftalmologista e o que ele vai investigar

Procure avaliação especializada se houver:

  • Histórico familiar de glaucoma, especialmente com início precoce;
  • Sintomas como visão embaçada, dor ocular intermitente, sensibilidade à luz;
  • Sintomas em bebês como lacrimejamento, aumento do globo ocular;
  • Uso prolongado de colírios corticoides ou histórico de uveíte ou trauma ocular.

Em consulta, o oftalmologista vai investigar acuidade visual, tonometria, gonioscopia, exame de fundo de olho, campo visual e OCT de fibras nervosas. 

Em casos suspeitos de origem genética, pode haver indicação de aconselhamento e testes genéticos. 

6. Prognóstico e qualidade de vida

Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes jovens preservam visão funcional por décadas. Já ao contrário, atrasos na identificação da condição são a principal causa de perda visual irreversível. 

Devido à maior expectativa de vida, o manejo em jovens prioriza estratégias que equilibrem eficácia, efeito colateral e impacto na rotina. Por exemplo, reduzir número de colírios ou optar por SLT quando apropriado.

Perguntas frequentes

Glaucoma em jovem é igual ao glaucoma dos idosos?

Não. Alguns mecanismos e respostas ao tratamento diferem — por exemplo, formas juvenis podem ter componente genético mais forte e curso mais agressivo. 

A SLT funciona em pacientes jovens?

SLT é efetiva em glaucoma de ângulo aberto e pode ser considerada em pacientes jovens com esse tipo. Porém, sua indicação é individual, pois depende da anatomia do ângulo, tipo de glaucoma e objetivos terapêuticos. 

Devo fazer teste genético se tenho glaucoma jovem na família?

Em determinadas situações, sim. Especialmente quando há histórico de casos familiares jovens (como alterações em MYOC). O aconselhamento genético pode ajudar no planejamento familiar e no rastreio precoce de parentes. 

Não espere sinais avançados aparecerem. Se você tem histórico familiar de glaucoma ou uso prolongado de colírio, procure fazer um plano terapêutico individualizado, que pode incluir soluções como a Trabeculoplastia Seletiva a Laser

Para uma avaliação completa, agende uma consulta com o Dr. Márcio Tractenberg no Instituto de Olhos Bela Vista.

Dr. Márcio Tractenberg

Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1

Porto Alegre/RS 90480-001

Telefone 1: 51 3307-9899
Telefone 2: 51 3407-3721
Whatsapp: 51 99502-4751

Mais como este

Como foi seu atendimento?

Avalie no google como foi a sua experiência com o atendimento do Dr. Marcio Tractenberg

Agende uma consulta com o especialista