Glaucoma secundário

Glaucoma secundário: causas e como diferenciar do primário.

Glaucoma secundário é aquele que surge a partir de uma causa identificável. Já o glaucoma primário aparece sem um gatilho específico único, ligado mais à predisposição do paciente e às características do olho. Essa diferença define a investigação, orienta o tratamento e influencia o prognóstico.

Neste post, você vai entender que o diagnóstico precoce do glaucoma secundário aumenta a chance de controlar a pressão intraocular, proteger o nervo óptico e preservar a visão com mais segurança.

O que é glaucoma secundário

Glaucoma secundário é o aumento da pressão intraocular e/ou a lesão do nervo óptico que acontece em decorrência de uma causa identificável. Em outras palavras, existe um fator por trás do quadro que altera o equilíbrio do olho e favorece o dano glaucomatoso.

Esse fator pode estar dentro do próprio olho, como:

  • Inflamações;
  • traumas;
  • sangramentos;
  • alterações do cristalino. 

Também pode estar fora dele, como:

  • no uso prolongado de corticoides;
  • em doenças gerais do organismo. 

O que é glaucoma primário

No glaucoma primário, não existe uma causa desencadeante única claramente definida como acontece no secundário. 

Ele geralmente está relacionado a uma predisposição do próprio olho e do organismo, com participação de fatores genéticos, anatômicos e de envelhecimento.

A forma mais comum é o glaucoma primário de ângulo aberto, que costuma evoluir lentamente e sem dor. Há também o glaucoma primário de ângulo fechado, que pode se apresentar de forma súbita em alguns casos. 

Por que essa distinção importa na prática

No glaucoma secundário, controlar apenas a pressão ocular pode não ser suficiente. Se a causa continuar ativa, o problema pode persistir ou voltar a piorar. 

Um paciente com uveíte, por exemplo, pode precisar controlar a inflamação com muito mais cuidado. Já alguém com glaucoma induzido por corticoide pode precisar rever a medicação com orientação médica. 

Quais são as principais causas do glaucoma secundário

As causas do glaucoma secundário são variadas, e cada uma delas interfere no funcionamento do olho de um jeito diferente. Em comum, todas podem prejudicar a drenagem do líquido intraocular ou aumentar a vulnerabilidade do nervo óptico.

Entre as causas mais frequentes estão:

  • inflamações oculares:
  • traumas;
  • uso de corticoides;
  • diabetes avançado com formação de vasos anormais;
  • cirurgias prévias;
  • tumores oculares;
  • pseudoesfoliação; 
  • dispersão pigmentar;
  • alterações do cristalino, como catarata muito avançada;
  •  situações em que sangue, células inflamatórias ou material anormal bloqueiam a saída do líquido do olho.

Quando existe uma causa aparente, o médico precisa investigar além da pressão. O glaucoma secundário pede uma avaliação mais ampla desde o início.

Glaucoma por uso de corticoide: um exemplo muito comum.

Entre os tipos de glaucoma secundário, o relacionado ao corticoide merece destaque porque é bastante comum. 

O problema pode ocorrer com colírios, comprimidos, injeções, pomadas dermatológicas e até sprays nasais em pessoas suscetíveis, especialmente quando há uso prolongado.

O corticoide pode alterar a drenagem do humor aquoso, que é o líquido produzido dentro do olho, favorecendo a elevação da pressão intraocular. Em alguns pacientes isso acontece de forma discreta. Em outros, a subida pode ser importante e silenciosa.

Nesses casos, o paciente nem sempre associa um medicamento aparentemente comum a um risco ocular. Por isso, sempre vale informar ao oftalmologista qualquer uso frequente de corticoide. Essa informação pode encurtar o caminho até o diagnóstico correto.

Glaucoma secundário por inflamação ocular

A inflamação intraocular, como ocorre na uveíte, também pode desencadear glaucoma secundário. Nesse cenário, o problema pode surgir tanto pela própria inflamação quanto pelas sequelas que ela deixa nas estruturas responsáveis pela drenagem do líquido do olho.

Além disso, o tratamento da inflamação frequentemente inclui corticoides, o que às vezes cria um desafio adicional. O médico precisa equilibrar o controle da inflamação com o risco de aumento da pressão ocular.

Esse é um bom exemplo de como o glaucoma secundário pode ser mais complexo do que parece. Não basta olhar para o número da pressão. É preciso entender o contexto completo do olho e do paciente.

Trauma ocular também pode causar glaucoma

Pancadas no olho, acidentes esportivos, quedas e outros traumas podem desencadear glaucoma secundário imediatamente ou anos depois. 

Em alguns casos, ocorre sangramento dentro do olho. Em outros, há dano estrutural na região de drenagem, o que compromete o escoamento do líquido de maneira progressiva.

O Dr. Márcio Tractenberg reforça a importância desse detalhe, porque alguns pacientes deixam de relatar traumas antigos por acharem que não têm mais relação com a situação atual. Têm, sim. Um histórico de trauma pode explicar um quadro de pressão alta no olho que, à primeira vista, pareceria um glaucoma comum.

Quando a diabetes e problemas vasculares entram em cena

Em estágios avançados de algumas doenças da retina, especialmente ligadas ao diabetes e a obstruções vasculares, o olho pode desenvolver vasos anormais. Estes podem crescer em regiões onde não deveriam estar e dificultar a drenagem do líquido intraocular.

Esse quadro pode levar ao chamado glaucoma neovascular, uma forma de glaucoma secundário que costuma exigir atenção rápida. Muitas vezes, ele é acompanhado de dor, vermelhidão e piora visual, embora a apresentação possa variar.

Nesses casos, o glaucoma é parte de um problema maior, que inclui sofrimento vascular ocular. O tratamento precisa ser integrado para ter chance real de controle.

Como diferenciar o glaucoma secundário do primário

Essa diferenciação é feita pela soma da história clínica com o exame oftalmológico detalhado. O médico especialista em glaucoma avalia quando os sintomas começaram, se houve trauma, cirurgias, inflamações, uso de corticoides, doenças sistêmicas e outros fatores de risco.

No exame, entram:

  • a medida da pressão intraocular;
  • a avaliação do nervo óptico;
  • a gonioscopia para observar o ângulo de drenagem do olho;
  • o exame do fundo de olho;
  • quando necessário, exames complementares de imagem e campo visual.

Em muitos casos, o aspecto das estruturas oculares já traz pistas valiosas sobre a origem secundária do glaucoma.

A diferença entre glaucoma primário e secundário raramente depende de um único sinal. É o conjunto das informações que revela se o glaucoma é a doença principal ou consequência de outra alteração.

Os sintomas podem ser diferentes

Nem todo glaucoma dá sintomas no começo. Isso vale tanto para formas primárias quanto secundárias. 

Ainda assim, alguns quadros secundários têm maior chance de chamar atenção mais cedo, especialmente quando estão associados a inflamação, trauma ou crescimento de vasos anormais.

O paciente pode notar dor ocular, vermelhidão, visão borrada, halos ao redor das luzes e sensação de peso no olho. Em outros casos, a perda visual é insidiosa e só aparece quando o dano já está mais avançado.

Como é o tratamento do glaucoma secundário

O tratamento depende de dois pilares. O primeiro é reduzir a pressão intraocular para proteger o nervo óptico. O segundo é tratar a causa de base que levou ao glaucoma. 

Podem ser usados colírios, medicamentos por via oral, procedimentos a laser e cirurgias. Em alguns pacientes, a trabeculoplastia seletiva a laser pode fazer parte da estratégia, especialmente quando a anatomia e o tipo de glaucoma permitem essa abordagem. 

Em outros, pode ser necessário tratar inflamação, suspender ou ajustar corticoides, controlar doença da retina ou indicar cirurgia com foco maior na drenagem ocular.

O prognóstico depende de diagnóstico correto e acompanhamento próximo

De forma geral, quanto mais cedo o glaucoma secundário é reconhecido, melhor a chance de controlar a pressão e preservar a visão. Isso não significa que todos os casos serão simples, mas significa que agir cedo amplia muito as possibilidades de cuidado.

O acompanhamento regular revela que a pressão pode oscilar, a causa de base pode reaparecer e o nervo óptico precisa ser monitorado ao longo do tempo. Glaucoma é uma condição que exige constância. No secundário, essa vigilância costuma ser ainda mais importante.

Quando procurar avaliação especializada

Vale procurar um oftalmologista com experiência em glaucoma sempre que houver:

  • pressão ocular elevada;
  • alteração do nervo óptico;
  • histórico de uso prolongado de corticoides;
  • inflamações oculares;
  • trauma;
  • perda visual sem explicação clara;
  • diagnóstico de glaucoma com características fora do padrão ou dificuldade de controle. 

Um especialista em glaucoma pode identificar que se trata de glaucoma secundário e não de glaucoma primário e indicar um tratamento mais preciso e mais seguro.

Se você tem dúvida sobre pressão alta no olho, diagnóstico de glaucoma ou suspeita de glaucoma secundário, agende sua consulta com o Dr. Márcio Tractenberg, do Portal Glaucoma, para receber uma indicação de tratamento mais adequado para o seu caso.

Dr. Márcio Tractenberg

Oftalmologista Porto Alegre

Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1

Porto Alegre / RS 90480-001

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