O glaucoma é uma doença silenciosa, frequentemente assintomática nas fases iniciais, que pode levar à perda irreversível da visão.
Entre os diversos fatores de risco associados ao desenvolvimento dessa condição, a relação entre idade e glaucoma é extremamente relevante. Mas afinal, a partir de que momento o risco de glaucoma começa a crescer de maneira significativa?
Neste artigo, vamos explorar a relação entre idade e glaucoma, fornecer orientações de prevenção e ressaltar a importância de exames periódicos, especialmente para quem já entrou na faixa etária de maior vulnerabilidade.
Compreendendo o glaucoma
O glaucoma é um conjunto de doenças oculares que provocam lesão progressiva do nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular. Embora existam diferentes tipos—como o glaucoma de ângulo aberto (mais comum) e o de ângulo fechado—todos compartilham o potencial de danificar as fibras nervosas que conduzem as informações visuais ao cérebro. Se não diagnosticado e tratado a tempo, pode resultar em perda de campo visual e, em casos avançados, cegueira irreversível.
Por que a idade e glaucoma é um fator de risco tão importante?
Diversos estudos epidemiológicos mostram que a incidência de glaucoma aumenta de forma exponencial com o avanço da idade.
Enquanto em indivíduos abaixo dos 40 anos a prevalência gira em torno de 0,5%, esse número sobe para quase 2% na faixa etária entre 60 e 69 anos, podendo ultrapassar 4% em pessoas com mais de 80 anos.
Há vários mecanismos que explicam essa associação:
- Alterações estruturais: o sistema de drenagem do humor aquoso, responsável por regular a pressão intraocular, tende a piorar com o envelhecimento;
- Vulnerabilidade do nervo óptico: com o tempo, as fibras nervosas podem apresentar menor resistência a tensões mecânicas e isquêmicas;
- Fatores sistêmicos: doenças associadas à idade, como hipertensão arterial e diabetes, podem agravar o risco de lesão óptica.
Quando iniciar a vigilância?
Dada a natureza insidiosa do glaucoma, as diretrizes oftalmológicas recomendam:
- Adultos com menos de 40 anos: avaliação oftalmológica geral a cada 2 a 4 anos, incluindo aferição da pressão intraocular e exame de fundo de olho;
- Pessoas entre 40 e 54 anos: checagem a cada 1 a 3 anos, com atenção especial à espessura da córnea e ao exame do nervo óptico;
- Faixa dos 55 aos 64 anos: exame anual ou bienal, considerando outros fatores de risco individuais;
- Acima de 65 anos: avaliação semestral, pois a probabilidade de início de lesões glaucomatosas é significativamente maior.
Esse cronograma ajuda a identificar alterações iniciais antes que sintomas — como visão tubular, perda de contraste, dificuldade em enxergar à noite ou dor ocular — se manifestem de forma marcante.
Fatores que potencializam o risco em idades avançadas
Além do envelhecimento natural do olho, outros elementos podem acelerar o aparecimento do glaucoma:
- Histórico familiar: parentes de primeiro grau com glaucoma aumentam em até quatro vezes a probabilidade de desenvolver a doença;
- Hipertensão ocular: pressão intraocular persistentemente elevada, mesmo sem dano nervoso inicial, eleva o risco futuro;
- Uso prolongado de corticoides: medicamentos tópicos ou sistêmicos podem elevar a pressão intraocular em alguns pacientes;
- Doenças sistêmicas: diabetes, apneia do sono e hipotensão arterial noturna também estão associados a maior incidência.
Tratamentos modernos
Quando o diagnóstico de glaucoma é confirmado, o objetivo do tratamento é preservar o campo visual e manter a pressão intraocular em níveis seguros. As opções incluem colírios hipotensores, laserterapia e cirurgia.
A trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) destaca‑se como uma técnica minimamente invasiva, que estimula o sistema de drenagem natural do olho. Indicada em casos de glaucoma de ângulo aberto, pode reduzir ou até dispensar temporariamente o uso de colírios, trazendo conforto e melhor adesão ao tratamento.
Idade avançada não é sinônimo de cegueira
Apesar do aumento do risco com o passar dos anos, a detecção precoce e o tratamento adequado transformam o prognóstico do glaucoma.
Estatísticas mostram que, quando acompanhada corretamente, a progressão da doença é significativamente retardada, permitindo que pacientes de 70, 80 ou 90 anos mantenham uma boa qualidade de vida visual.
Se você tem mais de 40 anos, histórico familiar de glaucoma ou fatores de risco associados, agende uma avaliação no Instituto de Olhos Bela Vista. Fale com o Dr. Márcio Tractenberg, especialista em Trabeculoplastia a Laser, e garanta um acompanhamento para preservar sua saúde ocular.
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