o glaucoma

O que diferencia o glaucoma de outros problemas oculares?

Muita gente ouve falar em glaucoma, catarata, grau alto, olho seco e descolamento de retina como se tudo fizesse parte do mesmo grupo de problemas da visão. Mas não faz. 

A principal diferença é que o glaucoma costuma estar ligado a um dano progressivo no nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais dos olhos até o cérebro. 

Em muitos casos, esse dano acontece de forma silenciosa, sem dor e sem sinais claros no começo. É justamente esse comportamento discreto que torna a doença diferente de muitos outros problemas oculares.

O glaucoma não é apenas um problema de grau ou de visão embaçada

Quando o paciente tem miopia, hipermetropia ou astigmatismo, o problema está na forma como a luz entra no olho e é focalizada. 

Isso costuma provocar dificuldade para enxergar de longe, de perto ou em determinadas situações, mas geralmente pode ser corrigido com óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa.

No glaucoma, a questão central não é o foco da imagem. O que está em risco é o nervo óptico. Isso significa que o problema não se resume a enxergar borrado. 

Existe a possibilidade de perda real do campo visual, especialmente da visão periférica, e esta não é recuperada quando o dano já aconteceu. 

Em outras palavras, o glaucoma não costuma se comportar como um simples aumento de grau. Ele ameaça a estrutura que transmite a visão ao cérebro.

O glaucoma costuma evoluir em silêncio

Muitos problemas oculares dão sinais logo no início. Olho seco pode causar ardência, sensação de areia e desconforto. Conjuntivite costuma provocar vermelhidão, secreção e irritação. Catarata geralmente está associada a visão embaçada progressiva, aumento do brilho e piora para dirigir à noite.

Já o glaucoma, principalmente o tipo mais comum, pode avançar sem dor e sem mudanças percebidas no começo.  A pessoa acredita que está enxergando bem, porque a visão central ainda está preservada, enquanto pequenas perdas laterais vão acontecendo aos poucos.

Como o início pode ser silencioso, o diagnóstico muitas vezes depende mais do exame oftalmológico do que da queixa espontânea do paciente. Ou seja, o glaucoma pode estar presente antes mesmo de o paciente desconfiar.

A pressão ocular tem papel importante, mas não explica tudo.

Outra confusão frequente é achar que glaucoma e pressão alta no olho são exatamente a mesma coisa. A relação entre os dois é próxima, mas não são sinônimos.

A pressão intraocular elevada é um dos principais fatores de risco para dano no nervo óptico. Em muitos pacientes, o tratamento busca justamente reduzi-la. 

No entanto, existem pessoas com pressão ocular acima do normal que ainda não desenvolveram glaucoma, assim como existem casos da condição em pessoas com pressão aparentemente normal.

Isso torna o glaucoma diferente dos problemas mais simples, em que um único número ou exame define quase toda a condição. 

No caso do glaucoma, o oftalmologista avalia um conjunto de elementos, como o aspecto do nervo óptico, a pressão ocular, o campo visual e a anatomia do olho.

O dano do glaucoma acontece no campo visual, não apenas na nitidez.

A perda visual do glaucoma frequentemente começa pela periferia. Isso significa que o paciente pode continuar lendo, usando celular e reconhecendo rostos por um bom tempo, mesmo já tendo prejuízo visual em áreas laterais do campo de visão. Com o avanço da doença, essas perdas podem se ampliar.

Esse padrão difere bastante da catarata, por exemplo, que tende a afetar a nitidez geral da imagem. Também é diferente de doenças da córnea ou da superfície ocular, que costumam gerar flutuação visual, ardência ou sensibilidade à luz.

No glaucoma, o problema pode não chamar atenção pela qualidade da imagem no centro, mas pela perda gradual do território visual. Isso é perigoso justamente porque pode passar despercebido por muito tempo.

Nem todo glaucoma se apresenta da mesma forma

O glaucoma de ângulo aberto, que é o mais comum, tende a ser silencioso e progressivo. 

Já o glaucoma de fechamento de ângulo pode surgir com quadro agudo, com dor intensa, vermelhidão, náusea, dor de cabeça e piora importante da visão. 

O diagnóstico do glaucoma exige uma avaliação mais completa

Em algumas doenças oculares, um exame clínico simples já aponta com bastante clareza o problema. No glaucoma, o raciocínio costuma ser mais amplo.

O oftalmologista precisa medir a pressão intraocular, examinar o nervo óptico, avaliar o ângulo de drenagem do olho, solicitar campo visual e usar exames de imagem para acompanhar a estrutura do nervo e da retina. 

Isso diferencia o glaucoma, por exemplo, de uma inflamação ocular evidente ou de uma catarata avançada, em que o achado pode ser mais direto. 

No glaucoma, muitas vezes o desafio está em reconhecer alterações precoces, antes que a perda visual se torne significativa. Em resumo, o glaucoma exige acompanhamento técnico e comparações ao longo do tempo.

O tratamento busca preservar a visão, não recuperar o que já foi perdido.

Em alguns problemas oculares, o tratamento pode devolver bastante da qualidade visual. A cirurgia de catarata é um exemplo clássico. Em casos de grau, óculos e lentes costumam corrigir o defeito de forma muito eficiente.

No glaucoma, o objetivo principal é impedir ou desacelerar a progressão do dano. Em geral, o tratamento não recupera a parte da visão já perdida por lesão do nervo óptico. Por isso, o valor do diagnóstico precoce é tão alto.

O tratamento pode incluir colírios, laser e cirurgia. Entre as opções, está a trabeculoplastia seletiva a laser, também chamada de SLT, que pode ser indicada para reduzir a pressão ocular e diminuir a dependência de colírios.

Se você tem dúvidas sobre sintomas, histórico familiar, pressão ocular alta ou quer fazer uma avaliação completa da sua saúde ocular, agende uma consulta com o Dr. Márcio Tractenberg do Portal Glaucoma, para proteger sua visão para o futuro.

Dr. Márcio Tractenberg

Oftalmologista Porto Alegre

Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1

Porto Alegre / RS 90480-001

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