Existe uma linha tênue entre a fadiga ocular (temporária e reversível) e problemas mais sérios, como o glaucoma, que pode roubar a visão de forma silenciosa.
Neste post você vai encontrar informação precisa para distinguir um do outro, o que observar no dia a dia e quando procurar um oftalmologista.
Primeiro: o que é cada coisa, em poucas palavras.
Olhos cansados (astenopia ou síndrome da visão de computador)
O conjunto de sintomas dos olhos cansados incluem ardor, sensação de cansaço, olhos secos ou lacrimejantes, visão embaçada momentânea, dor de cabeça e desconforto no pescoço e ombros.
Geralmente relacionado a esforço visual prolongado e postura inadequada, essa condição normalmente melhora com descanso e medidas simples.
Glaucoma
É um grupo de doenças que danificam o nervo óptico e podem provocar perda progressiva da visão, muitas vezes começando pela visão periférica.
Em muitos casos não há sintomas nas fases iniciais, por isso é chamado de “ladrão silencioso da visão”.
Existem formas crônicas do glaucoma (de evolução lenta) e formas agudas que são emergências oftalmológicas.
Como diferenciar: sinais e padrões para observar.
Aqui estão os pontos que ajudam a separar cansaço ocular de sinais de glaucoma. Use as informações a seguir como um guia prático, não como diagnóstico.
1. Tempo de aparecimento e relação com atividade
Olhos cansados: os sintomas surgem durante ou logo após tarefas visuais prolongadas como uso do celular, computador e leitura. Melhoram com pausa, descanso ou lubrificação ocular.
Glaucoma (crônico): muitas vezes não há sintomas perceptíveis nas fases iniciais. A perda visual é lenta e periférica, e o paciente só nota quando já houve dano significativo ao nervo óptico.
2. Tipo de desconforto
Olhos cansados: ardência, secura, sensação de peso, vermelhidão leve, visão temporariamente embaçada que melhora com pausa ou colírios lubrificantes. Pode vir acompanhado de dor de cabeça ou dor no pescoço.
Glaucoma: costuma ser indolor nas formas crônicas. Se houver dor ocular intensa, vermelhidão marcante, náusea ou halos coloridos ao redor das luzes, pense em glaucoma de ângulo estreito ou fechado. Esse caso agudo é uma emergência médica.
3. Alteração do campo visual
Olhos cansados: raramente provoca perda do campo visual. As alterações são temporárias e focalizadas em embaçamento ou dupla visão passageira.
Glaucoma: característica clássica é a perda progressiva do campo visual periférico e uma visão em túnel nos casos avançados. Testes específicos como a campimetria detectam isso antes do paciente apresentar sintomas.
4. Sintomas noturnos e halos
Olhos cansados: pode aumentar desconforto à noite pela fadiga acumulada, mas não costuma causar halos coloridos.
Glaucoma agudo: ver halos ou arcos coloridos ao redor de luzes, especialmente à noite, pode indicar aumento súbito da pressão intraocular. Esse sinal não é típico de simples cansaço.
5. Resposta a medidas simples
Olhos cansados: essa condição melhora com pausas (regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar para algo a 6 metros por 20 segundos), correção óptica adequada, lubrificantes e ajuste ergonômico.
Glaucoma: não regride com descanso ou lágrimas artificiais. Você precisa de avaliação oftalmológica e, dependendo do tipo de glaucoma, tratamento com colírios, laser ou cirurgia.
No caso de glaucoma de ângulo aberto, a SLT, Trabeculoplastia Seletiva a Laser, é um tratamento a laser, não cirúrgico, que reduz a pressão intraocular (PIO) de forma controlada e pode evitar ou reduzir o uso de colírios.
Sinais de alerta que exigem procura imediata por atendimento
Procure seu oftalmologista imediatamente ou um pronto-socorro oftalmológico se você tiver:
- dor ocular intensa e súbita;
- visão subitamente embaçada ou perda de visão;
- náusea e vômito associados à dor ocular;
- halos coloridos ao redor das luzes;
- olho muito vermelho com visão turva.
Esses sintomas podem indicar glaucoma de ângulo fechado agudo, uma condição que pode causar perda visual permanente em poucas horas se não tratada.
Exames que o oftalmologista fará para diferenciar entre olhos cansados ou glaucoma
Se você consultar um especialista, ele poderá solicitar:
- Medida da pressão intraocular (tonometria);
- Exame do nervo óptico (oftalmoscopia / foto de papila);
- Teste de campo visual (campimetria);
- Gonioscopia (para avaliar o ângulo de drenagem do olho);
- Paquimetria (espessura da córnea) e, quando necessário, OCT (tomografia do nervo óptico).
Esses exames detectam glaucoma mesmo antes de sintomas evidentes e diferenciam de problemas de superfície ocular ou esforço visual.
Prevenção e medidas práticas para quem trabalha com telas
Faça pausas curtas frequentemente, a conhecida Regra 20-20-20: a cada 20 minutos olhe para algo a 6 metros de distância (a 20 pés de distância) por 20 minutos.
Você também pode fazer uso de lágrimas artificiais, se houver ressecamento persistente, para fazer a higiene dos olhos.
Uma medida recomendada é manter a receita do óculos atualizada e, quando indicado, filtros ou lentes com prescrição para o trabalho de perto.
Se você trabalha direto no computador, preste atenção na ergonomia. Posicione a tela na altura e distância corretas e tenha uma iluminação adequada.
Exames periódicos devem se tornar uma prática, especialmente se houver fatores de risco como histórico familiar de glaucoma, idade avançada, miopia alta, pressão arterial baixa ou alta ou uso de corticoide prolongado.
Quando agendar uma consulta com o oftalmologista
Se os sintomas de cansaço persistirem mesmo depois de aplicar as medidas de pausas frequentes, colírios para lubrificar e ajustes ergonômicos, procure um especialista.
Se você tem fatores de risco para glaucoma, tenha em mente que exames periódicos detectam alterações silenciosas e podem salvar sua visão.
Se você quer tirar dúvidas sobre exames ou sobre tratamentos como a Trabeculoplastia Seletiva a Laser, entre em contato com o Instituto de Olhos Bela Vista para agendar sua consulta.
Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1
Porto Alegre / RS 90480-001