A papilografia é um exame de imagem oftalmológica que registra fotografias do disco óptico (papila), com o objetivo de documentar alterações anatômicas no nervo óptico e nas camadas de fibras nervosas da retina.
Por meio de câmeras de fundo de olho, obtêm‑se imagens coloridas ou em modo “red‑free” que permitem avaliar proporções de escavação, bordas da papila e espessura do anel neuroretiniano. Assim, o exame serve como um dos parâmetros para o diagnóstico e acompanhamento do glaucoma.
A técnica evoluiu do uso de filmes fotográficos para sensores digitais de alta resolução, oferecendo maior reprodutibilidade e facilidade na comparação seriada de exames.
O que é a Papilografia?
A papilografia é uma modalidade de foto‑documentação que se concentra especificamente na papila do nervo óptico, contrastando‑a com a retinografia, que abrange extensamente a mácula e a região periférica da retina.
Enquanto a retinografia captura imagens gerais do fundo do olho, a papilografia direciona‑se ao disco óptico, ressaltando alterações sutis no contorno, coloração e profundidade da escavação óptica.
Histórico e evolução
Inicialmente, a papilografia envolvia filmes de 35 mm em câmeras de fundo de olho, exigindo processamento laboratorial e limitando a comparação temporal devido a variações de iluminação e temperatura de revelação.
Hoje em dia, sensores CCD e CMOS permitiram capturar imagens de melhor nitidez, armazená-las eletronicamente e aplicar algoritmos de realce de contraste para evidenciar a camada de fibras nervosas em modo “red‑free”.
Como funciona a Papilografia?
Equipamentos e tecnologia
A papilografia digital utiliza câmeras retroiluminadas com sistemas de alinhamento ocular e oftalmoscopia indireta incorporada.
Essas câmeras emitem um feixe de luz branca ou verde (no modo “red‑free”) que atravessa o meio ocular, refletindo‑se no fundo do olho e capturando, em alta resolução, a topografia do disco óptico.
O software embutido ajusta brilho e contraste e pode medir automaticamente parâmetros como o diâmetro do disco, área da escavação e razão escavação/disco.
Preparação e aquisição de imagem
No consultório, o paciente recebe colírios midriáticos para dilatar a pupila, garantindo maior campo de visão e qualidade do registro.
Posicionado no suporte do equipamento, o olho é centralizado e a câmera dispara várias imagens em poucos segundos. O procedimento é rápido, indolor e não requer contato direto com o globo ocular.
Modos de imagem – estereoscópico e red‑free
Estereoscópico: duas imagens inclinadas geram um efeito tridimensional, permitindo ao especialista avaliar a profundidade da escavação e inclinações irregulares na borda papilar.
Red‑free: a luz verde destaca a camada de fibras nervosas, tornando mais visíveis defeitos iniciais e áreas de rarefação peripapilar.
Importância da Papilografia no diagnóstico do glaucoma
No glaucoma, a pressão intraocular elevada ou fatores vasculares promovem degeneração de fibras nervosas, resultando em escavação progressiva da papila e perda de campo visual.
A papilografia documenta alterações estruturais antes mesmo de defeitos funcionais tornarem-se evidentes no campo visual, permitindo diagnosticar estágios iniciais da doença.
Detecção de alterações precoces
Fotografias em alta resolução evidenciam sutis variações no contorno da papila, como assimetria entre olhos ou evoluções discretas em comparação a imagens anteriores. O modo “red‑free” — que utiliza filtro verde — realça a camada de fibras nervosas, tornando mais visíveis áreas de rarefação ou depressões na papila
Acompanhamento longitudinal
Por meio de comparações objetivas de imagens seriadas, o oftalmologista verifica progressão de escavação, formação de defeitos localizados e alterações do anel neural, embasando decisões sobre intensificação terapêutica ou adequação de metas de pressão intraocular.
Vantagens
- Baixo custo operacional em comparação a equipamentos de OCT, com vida útil prolongada e manutenção mínima;
- Documentação visual confiável, facilitando a comunicação com o paciente e o registro médico;
- Mobilidade: câmeras portáteis permitem exames em comunidades e telessaúde.
Para uma avaliação e orientações sobre exames de papilografia e demais procedimentos oftalmológicos, recomenda-se entrar em contato com o Instituto Olhos Bela Vista. A equipe está à disposição para agendar consultas, esclarecer dúvidas e conduzir exames com tecnologia de ponta.
Dr. Márcio Tractenberg
Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1
Porto Alegre / RS 90480-001