Pressão alta nos olhos e glaucoma têm relação, mas não são a mesma coisa. A pressão intraocular elevada é um fator de risco importante, enquanto o glaucoma é a doença que provoca dano ao nervo óptico e perda visual.
O diagnóstico correto depende de uma avaliação completa, com tonometria, paquimetria, exame do nervo óptico (OCT), campimetria e gonioscopia.
Entre as opções de tratamento, a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) destaca-se por ser um procedimento eficaz e repetível, ideal para reduzir a necessidade de colírios ou melhorar o controle da pressão em muitos pacientes.
Neste post, vamos explicar o que cada condição significa, por que elas às vezes aparecem juntas e às vezes não, como salientar o papel da camada corneana nas medições, quais exames esclarecem o diagnóstico e quais opções de tratamento existem hoje.
O que é “pressão alta nos olhos” ou hipertensão ocular?
A pressão intraocular (PIO) é a pressão do líquido dentro do olho (humor aquoso). Quando ela está acima do valor considerado normal, chamamos de hipertensão ocular.
Podemos dizer que a hipertensão ocular é um achado mensurável e pode ser detectado por tonometria. Os valores considerados “normais” variam, mas comumente considera-se referência algo em torno de 10 a 21 mmHg.
Por outro lado, nem todo olho com pressão elevada apresenta dano ao nervo óptico. Porém, pessoas com hipertensão ocular têm risco maior de desenvolver glaucoma no futuro.
Por isso o Dr. Márcio Tractenberg indica que o paciente com hipertensão ocular faça o acompanhamento do caso, regularmente, com seu oftalmologista de confiança.
O que é glaucoma?
Glaucoma é um conjunto de doenças caracterizadas por lesão progressiva do nervo óptico, geralmente associada à perda do campo visual. A causa mais conhecida é a redução do escoamento do humor aquoso pela malha trabecular, elevando a PIO, mas esta não é a única.
Para chegar a um diagnóstico preciso, o especialista vai avaliar as evidências de dano ao nervo óptico e/ou campo visual, não apenas a pressão intraocular. Além disso, existem vários tipos da doença. O mais comum é o glaucoma de ângulo aberto, mas também há glaucoma de ângulo fechado, glaucoma de pressão normal, congênito, secundário a outras doenças etc.
Importante ressaltar que se o glaucoma não for tratado pode levar à perda visual irreversível.
Por que pressão alta nem sempre significa glaucoma?
A relação entre PIO e glaucoma é de risco, não de identidade. Eis por que:
Nem todo nervo óptico é igualmente sensível
Algumas pessoas suportam pressões mais altas sem dano. Outras apresentam lesão com pressões “normais”.
Pressão não é medida perfeita
Fatores como a espessura corneana central (CCT) influenciam a leitura da tonometria. Córneas finas podem subestimar a pressão real e córneas espessas podem superestimar.
Variabilidade diurna e picos
A PIO varia ao longo do dia e uma medida isolada pode não representar o risco real.
Tempo e susceptibilidade
O glaucoma é uma doença progressiva. Muitos pacientes com hipertensão ocular nunca desenvolvem dano porque a duração ou gravidade da pressão não foi suficiente ou porque outros fatores protetores existem.
Existem glaucomas sem pressão alta
No glaucoma de pressão normal, a PIO está dentro da faixa “normal”, mas o nervo óptico sofre por outros fatores como vascularização, fragilidade da lâmina cribriforme e pressão de perfusão reduzida.
E por que às vezes o glaucoma acontece sem pressão alta?
Condições que podem causar os danos do glaucoma apesar da pressão “normal”:
- Vulnerabilidade intrínseca do nervo óptico causada por uma susceptibilidade genética;
- Problemas vasculares como pouco fluxo sanguíneo para o nervo óptico;
- Pressão de perfusão ocular reduzida (diferença entre pressão arterial e pressão intraocular);
- Histórico familiar, idade avançada, miopia alta e outras comorbidades.
Por isso, o diagnóstico de glaucoma exige uma avaliação global com medida de pressão, exame do nervo óptico (fundoscopia + OCT) e avaliação do campo visual.
Como o oftalmologista confirma se há glaucoma
Exames essenciais:
- Tonometria (Goldmann é o padrão-ouro): mede a PIO;
- Gonioscopia: avalia o ângulo entre íris e córnea (aberto vs. fechado);
- OCT de nervo óptico e retina: imagem da camada de fibras nervosas e da cabeça do nervo óptico;
- Campimetria (campo visual): detecta déficit visual funcional;
- Paquimetria: mede espessura corneana (CCT), que corrige interpretações da PIO;
- Fotografia de disco óptico: comparação ao longo do tempo.
Somente assim o oftalmologista define se existe hipertensão ocular isolada (apenas risco), glaucoma estabelecido (lesão estruturada ou funcional) ou glaucoma provável.
Tratamentos: do colírio à cirurgia, opções e objetivos.
O objetivo do tratamento é reduzir a PIO a um nível seguro para o nervo óptico, chamado de pressão alvo. A ideia é evitar progressão do dano.
Tratamentos disponíveis:
- Colírios hipotensores como prostaglandinas, betabloqueadores, inibidores de anidrase carbônica, alfa-agonistas e agentes de multimecanismo;
- A Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) é um procedimento não invasivo que melhora o escoamento pelo trabeculado;
- Cirurgias filtrantes (trabeculectomia) e implantes de drenagem são indicadas para casos mais avançados ou refratários;
- MIGS (procedimentos microinvasivos) são indicados para alguns pacientes específicos;
- Mudanças no estilo de vida e controle de doenças sistêmicas como pressão arterial e diabetes.
Vantagens da Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) e quando considerar
A Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) é uma técnica usada principalmente no glaucoma de ângulo aberto e em pacientes com hipertensão ocular que precisam reduzir a dependência de colírios ou controlar a PIO.
Vantagens da SLT:
- Minimamente invasiva: é um procedimento em consultório, rápido e seguro;
- Reduz ou adia o uso de colírios: muitos pacientes conseguem diminuir o número de gotas diárias;
- Repetível: ao contrário de algumas outras terapias a laser, a SLT pode ser repetida se necessário;
- Menos efeitos sistêmicos: útil em pacientes que não toleram colírios por efeitos colaterais;
- Rápida recuperação: geralmente sem necessidade de afastamento das atividades;
- Mantém opções cirúrgicas futuras: não “queima” caminhos para intervenções subsequentes.
Em resumo, a SLT é uma ferramenta valiosa no arsenal do oftalmologista — indicada tanto em hipertensão ocular com risco de progressão quanto como primeiro tratamento para glaucoma de ângulo aberto, dependendo do caso.
Quando procurar um especialista: sinais de alerta.
Procure um oftalmologista se você:
- Foi informado que tem pressão ocular elevada;
- Tem histórico familiar de glaucoma;
- Tem perda de visão periférica ou dificuldade em enxergar de canto;
- Tem dores oculares súbitas, visão embaçada ou náusea;
- Está começando a usar colírios para glaucoma e quer uma segunda opinião sobre SLT ou outras opções.
Leve exames anteriores se tiver: tonometria, OCT e campo visual — isso economiza tempo e melhora a avaliação.
Se você descobriu que sua pressão ocular está alta, se tem histórico familiar de glaucoma ou quer uma avaliação completa, entre em contato com o Dr. Márcio Tractenberg, no Instituto de Olhos Bela Vista. Cuidar do seu nervo óptico hoje é proteger sua visão amanhã.
Consultório Instituto de Olhos Bela Vista – Av Carlos Gomes 1340 Sala 1003/1
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