O tratamento do glaucoma costuma ser associado ao uso contínuo de colírios. Para muitos pacientes, isso significa lembrar de pingar a medicação todos os dias, lidar com ardência, vermelhidão, custo mensal e dificuldade de manter a rotina ao longo dos anos. Hoje, em casos selecionados, o laser para glaucoma pode fazer parte da conversa desde o início ou entrar como alternativa quando o colírio diário se torna um desafio.
A principal técnica nesse cenário é a Trabeculoplastia Seletiva a Laser, também chamada de SLT. Esse tratamento do glaucoma sem colírio diário atua ajudando o olho a escoar melhor o líquido interno, reduzindo a pressão intraocular, que é um dos principais fatores de risco para progressão do glaucoma.
O Dr. Márcio Tractenberg descreve a Trabeculoplastia Seletiva a Laser como um tratamento que melhora a drenagem do fluido ocular e ajuda a baixar a pressão do olho.
Por que controlar a pressão intraocular é tão importante?
O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por levar as imagens do olho até o cérebro. Na maioria dos casos, a perda visual acontece de forma lenta e silenciosa, começando pelas áreas laterais do campo de visão.
A pressão intraocular elevada aumenta o risco de dano ao nervo óptico. Por isso, grande parte do tratamento é voltada para manter essa pressão em uma faixa mais segura para cada paciente. Esta varia conforme o estágio do glaucoma, a espessura da córnea, o aspecto do nervo óptico, os exames de campo visual e a velocidade de progressão da doença.
A meta do tratamento é personalizada, pois o mesmo número de pressão pode ser aceitável para um paciente e insuficiente para outro.
Onde os colírios entram no tratamento do glaucoma?
Os colírios reduzem a pressão intraocular por diferentes caminhos. Alguns diminuem a produção de líquido dentro do olho. Outros facilitam a saída desse líquido pelas vias naturais de drenagem.
Eles seguem sendo muito usados e podem ter excelente resposta. Porém, o uso diário exige disciplina, técnica correta e acompanhamento. Isso porque, pequenos erros fazem diferença, como pingar fora do olho, encostar o frasco nos cílios, esquecer doses ou usar horários irregulares pode reduzir o efeito esperado.
Também existem pacientes que apresentam irritação, olho vermelho, sensação de areia, alergia, escurecimento da pele ao redor dos olhos ou dificuldade para usar mais de um frasco por dia.
Quando a rotina do colírio começa a atrapalhar a constância do tratamento, vale discutir outras formas de controle da pressão.
O que é a Trabeculoplastia Seletiva a Laser?
A Trabeculoplastia Seletiva a Laser é um procedimento feito no consultório ou em ambiente ambulatorial, com o objetivo de melhorar a drenagem do líquido ocular por uma região chamada malha trabecular.
Essa malha funciona como uma espécie de filtro natural do olho. No glaucoma de ângulo aberto, essa via de escoamento pode oferecer mais resistência, contribuindo para o aumento da pressão intraocular.
Na SLT, o laser aplica energia em pontos específicos dessa estrutura. A resposta biológica do tecido ajuda a melhorar a passagem do líquido, reduzindo a pressão do olho ao longo das semanas seguintes.
A SLT usa baixos níveis de laser na via natural de drenagem do olho e pode ser usada como tratamento inicial, como complemento aos colírios ou como alternativa quando medicamentos não atingem o resultado desejado.
Ou seja, o procedimento ajuda o próprio sistema de drenagem do olho a trabalhar melhor.
Laser para glaucoma substitui o colírio?
Em alguns pacientes, o laser pode reduzir ou adiar a necessidade de colírio diário. Em outros, ele diminui a quantidade de medicamentos. Há também situações em que o laser entra como complemento, junto com colírios.
A resposta depende de fatores como:
- tipo de glaucoma;
- pressão inicial;
- estágio da doença;
- anatomia do olho;
- tratamentos já realizados;
- meta de pressão definida pelo oftalmologista.
As diretrizes do NICE, no Reino Unido, passaram a recomendar maior uso da SLT, inclusive como primeira opção em determinados casos de hipertensão ocular e glaucoma crônico de ângulo aberto.
Isso mostra uma mudança importante na forma de pensar o tratamento. Para pacientes bem indicados, o laser pode ser discutido mais cedo, em vez de ficar reservado apenas para fases posteriores.
Tratamento do glaucoma sem colírio diário: Quando o laser pode entrar na conversa?
A conversa sobre SLT costuma fazer sentido em diferentes situações clínicas. O laser pode ser considerado quando o paciente tem glaucoma de ângulo aberto ou hipertensão ocular com indicação de tratamento, especialmente quando a redução da pressão pode ser alcançada estimulando a drenagem natural do olho.
Também pode ser uma opção para quem tem dificuldade de manter o colírio todos os dias, seja por esquecimento, rotina instável, custo, efeitos locais ou limitação motora para aplicar as gotas.
Em alguns casos, o oftalmologista pode propor o laser logo no início do tratamento. Em outros, a SLT aparece após meses ou anos de uso de colírios, quando há necessidade de melhorar o controle da pressão ou simplificar a rotina terapêutica.
A indicação deve considerar exames como tonometria, gonioscopia, avaliação do nervo óptico, tomografia de coerência óptica e campo visual. Portanto, o laser entra melhor na conversa quando a decisão nasce destas análises, da resposta ao tratamento e da realidade do paciente.
Se você tem glaucoma, pressão ocular elevada ou dificuldade para manter o uso diário de colírios, agende uma consulta com o Dr. Márcio Tractenberg do Portal Glaucoma, para discutir a melhor estratégia para preservar sua visão com acompanhamento especializado e verificar se a Trabeculoplastia Seletiva a Laser pode fazer parte do seu tratamento.
Oftalmologista Porto Alegre
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