Uveíte pode causar glaucoma? A uveíte costuma chegar com sintomas que chamam atenção: olho vermelho, dor, sensibilidade à luz e visão embaçada. O foco natural do tratamento é controlar essa inflamação.

Só que, enquanto o olho inflama, o aumento da pressão ocular pode estar se formando em paralelo.
Nesse sentido, a uveíte pode causar glaucoma. Essa forma da doença é chamada de glaucoma uveítico e aparece em uma parcela relevante dos pacientes com inflamação ocular, principalmente nos casos crônicos ou recorrentes.
Neste post, você vai entender como isso acontece e quais cuidados ajudam a proteger a visão.
O que é uveíte?
A úvea é a camada intermediária do olho, formada pela íris, pelo corpo ciliar e pela coroide. A uveíte é a inflamação dessa camada, e pode ser classificada conforme a região afetada:
- uveíte anterior, que atinge a íris e o corpo ciliar;
- uveíte intermediária, concentrada no vítreo e na retina periférica;
- uveíte posterior, que envolve a coroide e a retina;
- panuveíte, quando todas as regiões estão inflamadas.
As causas incluem doenças autoimunes, como espondilite anquilosante e artrite idiopática juvenil, infecções como herpes, toxoplasmose e sífilis, além de casos sem causa identificada.
Para quem quiser se aprofundar, a Academia Americana de Oftalmologia (AAO) tem um material sobre uveíte (em inglês).
Com que frequência a uveíte pode causar glaucoma
Sim, a uveíte pode causar glaucoma com frequência relevante. Estudos indicam que algo entre 10% e 20% dos pacientes com uveíte desenvolvem aumento da pressão ocular ou glaucoma em algum momento. O risco é maior na uveíte anterior, nas formas crônicas e em algumas condições específicas, como a uveíte causada por herpes.
Como a inflamação aumenta a pressão do olho?
O humor aquoso, o líquido que circula dentro do olho, sai por uma estrutura de drenagem chamada malha trabecular. A uveíte interfere nessa saída de várias formas.
Bloqueio da drenagem por células inflamatórias
Durante a inflamação, células e proteínas se acumulam no líquido do olho. Elas podem entupir a malha trabecular, dificultando a saída do humor aquoso e elevando a pressão.
Inflamação da própria malha trabecular
Em alguns tipos de uveíte, a inflamação atinge diretamente a estrutura de drenagem, quadro chamado de trabeculite.
Isso acontece com frequência na uveíte herpética e na síndrome de Posner-Schlossman, que provoca crises de pressão muito alta com inflamação leve.
Aderências dentro do olho
A inflamação pode fazer a íris grudar em outras estruturas. Quando ela adere ao cristalino, a passagem do líquido entre as câmaras do olho pode ser bloqueada.
Quando adere à periferia da córnea, fecha o ângulo de drenagem. Essas aderências são chamadas de sinéquias e podem levar ao glaucoma de ângulo fechado.
Resposta aos corticoides
O corticoide é um dos principais tratamentos da uveíte. Em algumas pessoas, ele eleva a pressão ocular, efeito conhecido como resposta ao corticoide.
Isso acontece tanto com colírios quanto com injeções e implantes oculares. Por isso, quem usa corticoide precisa medir a pressão regularmente.
Sintomas que merecem atenção
Na crise de pressão alta associada à uveíte, podem surgir:
- dor ocular intensa;
- visão embaçada ou com halos coloridos ao redor das luzes;
- dor de cabeça;
- náuseas, nos casos de pressão muito elevada.
Em muitos casos, porém, a pressão sobe de forma silenciosa, sem sintomas além dos da própria uveíte. Isso reforça a importância das medições em cada consulta.
Como é feito o diagnóstico?
O acompanhamento do paciente com uveíte inclui a medição da pressão ocular em todas as consultas. Quando ela está elevada, o oftalmologista avalia:
- o ângulo de drenagem, por meio da gonioscopia;
- o nervo óptico, pelo exame de fundo de olho;
- a camada de fibras nervosas, pela tomografia de coerência óptica;
- o campo visual, pela campimetria.
Essa investigação mostra se existe apenas pressão alta ou se o nervo óptico já sofreu dano, o que define o diagnóstico de glaucoma.
Tratamento do glaucoma uveítico
Controle da inflamação
O primeiro passo é tratar a uveíte. Em muitos casos, quando a inflamação diminui, a drenagem melhora e a pressão volta a níveis seguros.
Para pacientes com uveíte crônica, imunossupressores e medicamentos biológicos podem reduzir a necessidade de corticoide.
Colírios hipotensores
Betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica e agonistas alfa-adrenérgicos são opções frequentes. O uso de análogos de prostaglandina durante a inflamação ativa é avaliado caso a caso pelo especialista.
Procedimentos a laser
Quando a íris bloqueia a passagem do líquido, a iridotomia a laser cria uma pequena abertura que restabelece o fluxo.
Já a trabeculoplastia seletiva a laser, a SLT, muito utilizada no glaucoma primário de ângulo aberto, tem indicação mais restrita no glaucoma uveítico.
A inflamação pode reduzir a resposta ao laser, e o próprio procedimento pode reativar a uveíte. Por isso, a decisão depende de uma avaliação cuidadosa do quadro.
Cirurgia
Quando colírios e controle da inflamação ficam insuficientes, a cirurgia entra em cena. Os implantes de drenagem costumam ter bons resultados nesses pacientes, já que olhos com inflamação crônica tendem a cicatrizar mais rápido e comprometer outras técnicas cirúrgicas.
Quem tem uveíte precisa de acompanhamento contínuo
A uveíte pode ir e voltar e, como a uveíte pode causar glaucoma, o risco acompanha esse ciclo. Manter consultas regulares, seguir o tratamento anti-inflamatório e medir a pressão mesmo nos períodos sem sintomas são as melhores formas de evitar perda de visão.
O trabalho conjunto entre o especialista em uveíte, o especialista em glaucoma e, quando necessário, o reumatologista garante um cuidado mais completo.
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Agende sua consulta
Como a uveíte pode causar glaucoma, se você tem ou já teve uveíte, a avaliação periódica da pressão ocular e do nervo óptico é essencial. Agende uma consulta com o Dr. Márcio Tractenberg, do Portal Glaucoma, e faça o acompanhamento especializado para proteger sua visão.